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jeh_lee_pitty's photo from 5/17/08
  • 5/17/08
  • Camera: Not specified

§ O Corvo § Por Edgar Allan Poe (tradução de Machado de Assis)

"Em certo dia, à hora, à hora da meia noite que apavora
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
'É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais'

Ah, bem me lembro! bem me lembro!
Era no Glacial dezembro
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus chamam Lenora
E que ninguém chamará mais"


Logo, ele conclui que deva ser alguma "...visita amiga e retardada... há
de ser isso e nada mais".


"Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: 'imploro de vós, - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e mansa
Batestes, não fui logo, prestemente,
Certificar-me que aí estais'
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite e nada mais."


Nosso triste homem suspira ao ver a escuridão: "...Só tu, palavra única e
dileta,/ Lenora, tu, como um suspiro escasso da minha trite boca sais; / E
o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço; / Foi isto apenas, nada mais"


Na sexta estrofe, o homem tenta acalmar o coração: "...Devolvamos a paz ao
coração medroso, / Obra do vento e nada mais"


A sétima estrofe marca o encontro:
"Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais"


A oitava, junto com a nona, a décima e a décima primeira são minhas
preferidas... Aí estão:


"Diante da ave feia e escura, naquela rígida postura,
Com o gesto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: 'Ó tu das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhorais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?'
E o corvo disse:'Nunca mais'.


Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera,
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Cousa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é seu nome:'Nunca mais'


No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda a sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: 'Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora'
E o corvo disse: 'Nunca mais'


Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! É tão cabida!
'Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convicência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz , tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: 'Nunca mais'"


O homem pensa na ave, e no significado de suas palavras:
"...Entender o que quis dizer a ave do medo / Grasnando a frase: 'nunca mais'"


O pobre infeliz lembra de sua Lenora ao olhar em volta... a
loucura parece atingi-lo suavemente pelos braços da saudade:


"Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais."


"Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: 'Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora'.
E o corvo disse: 'Nunca mais'.


'Profeta ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe um bálsamo no mundo?'
E o corvo disse: 'Nunca mais'.


'Profeta ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No éden celeste a vir

Guestbook Messages (4)

jeh_lee_pitty said on 5/17/08 2:10 PM …

***Eu amooo poesia gótica *_*

Créditos:
http://br.geocities.com/insanedelirium/poesia.html

Kisses

Bye,bye

pitty___x said on 5/17/08 3:46 PM …

Add siim!

;*

amylovers666 said on 5/17/08 4:01 PM …

que lindo *-*
tmb gosto =D

beeeijão moçaa ;*

mammacadela said on 5/17/08 4:29 PM …

muio agradecido!!!!!

enorme beijo!

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