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Blog da Petit: A Vida Espanca Docemente

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À deriva: no mar (Fernanda Petit)


Eu gostaria de poder estar no mar
mesmo não sabendo nadar
e boiar...
Deixar que as ondas do mar acalmem meus ouvidos
ou entupam eles com a água do mar.
Até que a água do mar chegue dentro do cérebro
e limpe com o sal
tudo que machuca e preocupa

possivelmente água do mar
você
arderá as pequenas feridas
que se alojam no meu coração

Mar
eu não sei
se é bem no coração,
mas desde pequena me ensinaram que era ali que se instalava o amor e as paixões

Eu queria estar no mar
mesmo detestando o mar,
mas sei que ele me acalmaria
eu ouviria de longe as crianças brincando na areia e catando tatuíras e gritando de medo delas.
Ouviria o corneteiro vendendo picóles
Meu corpo boiaria e teria um homem
tocando piano pra mim na praia.
E a música do piano chegaria aos meus ouvidos
misturada pelo barulho da água do mar

Eu não sei nadar
e talvez sempre afunde
e talvez por isso me sinto afundada agora.
Eu pus uma bóia nos últimos tempos nas costas
para poder flutuar meu corpo na água do mar
Só que a bóia furou
bateu nas rochas do mar
enquanto eu estava ali: curtindo o sol leve
que batia na água e em mim
Eu distraída de olhos fechados
escutando o moço que de longe tocava o piano
não vi a bóia estourar
No momento que a bóia estourou
eu fui para o fundo
com um susto súbito.
Só voltei ao começo do mar
voltei a ver a luz do sol novamente,
pois uma sereia me pegou pelas costas
e me fez retornar

Agora estou eu: À deriva
boiando neste mar
o pianista tocando
e uma espécie de água saindo dos meus olhos
É salgada como água do mar
só que água do mar é beleza demais
e o que sai dos meus olhos é doloroso demais.
E a praia de repente ficou vazia
e as crianças levaram seus baldes com as tatuíras
para as verem morrerem mais tarde
Os vendedores de picóles foram para suas casas
contar quantos picolés de limão ainda existem
e dão de presentes para seus dois filhos, picolés de uva, os seus preferidos
Pois picolé de uva
suja a roupa ao lamber
e mancha
e ao manchar
a mãe vai lavar os pequenos trapos de roupas
e eles se sentirão amados
por que sua mãe se importa em limpar suas pequenas manchas de infância


Será que alguém pode me tirar da água do mar?
Será que alguém pode entender que não é carência?
Que não tem filosofia que explique
Será que alguém pode entender que eu não escolhi instalar um sentimento dentro de mim

já passou tempo demais
e meus braços se acostumaram a ficar abertos ao lado
parecem estáticos
Meu corpo está estático
eu não afundo
eu só bóio
e o sol está indo embora
e o pianista não sabe mais que música tocar

Eu sei que meu pai
está lá
numa cadeira de praia listrada azul
Com seus óculos de sol
e os cabelos grisalhos bem penteados,
pelo pente brega que ele guarda no bolso
Eu queria pai
que você me avistasse no mar
me colocasse no colo
e me perguntasse:
- Que foi,pequena?
Eu diria:
- Nada pai, nada.
e você diria como sempre:
- Isso passa, pequena!
Gostaria de poder te dizer
que eu não fui machucada de novo por outro garoto
que eu não me questiono se sou eu o defeito de tudo
que eu sinto saudades apertadas durante o dia
que eu sinto saudade da paisagem que eu nunca vi daquele quarto dele escuro
do gato mesclado
que eu não sinto falta do xampu Frutics que cheiravam seus cabelos
nem do ar envergonhado que ele tinha ao encher de beijos sua face
nem da camiseta branca que combinava tão bem com aquele corpo
nem das coisas engraçadas, que ele fazia meu estômago ter cócegas
nem do vermelho de suas bochechas, elas ficavam assim e eu nunca perguntei o por que

é pai
eu sinto um vazio
como uma concha que perdeu o molusco

E se eu te disser papai
que há um garoto
na beira do mar
com os pés fincados na areia molhada.
Sendo iluminado ,apenas pela luz da lua
e eu não sei pai, quem ele é
sei que ele é um presente da lua
e ele está lá me olhando
e ele quer muito pai
vir me buscar
só que ele tem os pés fincados demais na areia molhada.
E as mão fechadas demais de medo
e ele olha
e contorce os lábios
e ele carrega uma correntinha de mãe no pescoço
e ele não que crescer papai
pelo menos não ao meu lado.
Ele quer ficar só observando
e esperando que eu fique bem

Só desejando junto à lua
que eu fique bem

E dentro dele pai
mora uma festa de mentira (eu acho)
e ele se enche de risos de garotas sereias
elas beijam seus lábios, pai
e seu sexo fica duro
mas ele não amolece o coração
Eu sinto que uma água salgada ,como as que saem dos meus olhos
saem dos olhos dele também.
Quando ele decidi
rep




On May 06 2010 147 Views




jblzahh

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