uma alma em dois corpos...
9/2/09
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Esses dias eu fiz uma coisa que há muito tempo não fazia: sai de casa num dia que havia decidido não sair - mas o fiz por um motivo de força maior - bem altruístico, pois se não o fizesse, acho que minha consciência não me deixaria em paz. Pois é, eu e essa tendência a bom samaritano que me toma as vezes.
Mas pra isso eu tive que revirar o meu baú de memórias, mexendo, inclusive, nas mais remotas cujo eu tenho um certo receio em enfrentar.
Relembrei o final de semana da foto.
Todo o contexto dele,
cada detalhe,
cada emoção.
Tive que enfrentar um fantasma do passado que ainda assola uma parte de mim. Me peguei analisando as fotos – o acervo mental que eu fiz em torno da situação – e acabei por descobrir alguns sentimentos esquecidos, mas que emergem ao primeiro estímulo.
Às vezes eu me arrependo pela minha rispidez e dificuldade que eu tenho pra lidar com os meus sentimentos, pois sei que nada justifica a proporção dessa auto-defesa. Mas sei que algumas ações tem uma parte que pode ser definida como um mal necessário.
Sabe meu amigo, ainda é tão nítido o momento em que eu olhei nos seus olhos e disse: ninguém no mundo faria com que eu aceitasse uma situação semelhante a essa. E você me olhou com aquele olhar de pesado e nem precisou responder à pergunta.
Foi um momento de superação que só é válido depois de sopesados tudo que eu e você sentimos e dissemos. Foi tudo tão intenso, rápido e decisivo que fez com que respondíamos de supetão. Talvez toda torpeza da situação tenha colaborado pra amenizar a situação. As vezes de tão surreal que foi o contexto, me questiono se realmente aconteceu.
Voltando ao foco: Eu precisei da antecipação pra preparar o meu discurso. Essa é a minha maneira de canalizar o conflito, amenizar os efeitos da situação. Escrevo antecipadamente pra poder transmitir a essência, pra concretizar, materializar tudo aquilo que não é palpável. Aquela tarde, a grama, a brisa suave, companhia de pessoas especiais e únicas, todo o contexto emolduraram todo o cenário para acalantar as palavras.
Lembro-me de um silêncio ensurdecedor das pessoas ao lado, onde se escutava o eco da natureza, dando um peso maior a cada palavra que era pronunciada. Depois, aquilo que era mudo deu lugar a soluços que pesavam nos ombros, sem que ninguém ousasse fitar os olhos ao lado, sentia-se apenas.
A cumplicidade dividida entre nós todos não precisava de definição, tampouco explicação: o sentimento era exteriorizado pela alma. Aquele longo abraço que procedeu o beijo na testa desejando boa sorte ao conquistar o mundo e ainda, que voasse alto... foi todo envolvo por lágrimas que não acalmaram os corações. Pelo contrário, deixou-os ainda mais inquietos.
Sabíamos que aquilo tudo que estava iniciando era esperado e necessário, era só questão de tempo, mas encará-lo realmente, exige muito mais do que esperávamos do nosso auto-controle racional. [que não é tão grande assim, diga-se de passagem!]
Naquele momento eu me permite uma coisa que eu nego veemente ser. Assumi uma fraqueza da qual eu não posso negar a existência. Mas a situação era essa, estava ali, e tínhamos que lidar com ela, independia do nosso consentimento. Curvei-me ao fato de ser humano: típico, previsível e irracional ao tratar dos sentimentos.
Hoje, tudo aquilo que fora afirmado por nós no passado tem se confirmado. O mundo continua girando, o tempo continua passando e algumas pessoas vão e vem em nossas vidas, do mesmo jeito que alguns ficarão para sempre – perto ou longe.
A vida, nada mais é do que essa constante mudança - um eterno aprendizado e crescimento. É um ciclo constante. E o que nos encoraja é saber que temos uma outra alma nossa que vive num corpo distante, uma alma compreensiva [por vezes] e que sempre estará ligada a nós.
Mas de tudo isso, a parte que eu quero deixar claro é que, se eu cheguei até aqui, se consigo ter fé em mim e nas pessoas foi porque um dia, eu estava com os olhos envoltos de lágrimas com o celular na mão, e um coração apertado no peito por ter deixado uma parte da minha vida, uma parte de mim, de tudo que eu era e tinha ido embora, vendo as coisas passarem muito rápido por mim.
E foi aí, bem nesse momento em que a uma mensagem recebida pelo meu celular me dava conforto pra alma. Ela vinha dizendo que era pra eu ficar bem, e pra eu me sentir completo, porque toda aquela parte que eu havia deixado pra trás ia ser compensada pela sua parte – que no mesmo sentido – você havia deixado para eu trazer comigo. Assim, as nossas partes incompletas, estariam, novamente, inteiras com a metade do outro que cada um levava consigo.
CONTINUA...
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O choro passou por um momento de falta de controle, mas que foi dando lugar à uma paz de espírito, que até hoje ainda é confortante, porque você sabe que mesmo que distante, em algum lugar do mundo, tem uma parte sua que está completando a metade do outro – e vice versa.
[...]
Neste ponto, todo o resto é supérfluo, nada disso é pra ser sentido, nem explicado, porque a compreensão vem da alma, é coisa extra-sensorial. A alma daquele que tem metade de você pra fazê-lo inteiro, assim como acontece com você. É a mesma alma que tem que se dividir em dois corpos...
Porque essa é a essência da vida, é o que ela tem de mais puro e verdadeiro...
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Posted by Rafa MM
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;)_