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Foto do Johnny no filme Alice no País das Maravilhas.
Entrevista: Johnny Depp fala sobre seu novo filme Inimigos Públicos
Parte 2SW: O que há de tão especial em sua relação com Tim? É o fato dele te deixar fazer o que você quiser como ator?
JD: Bem, a coisa mais importante é que ele me deu cerca de sete trabalhos. Isso é a coisa mais impressionante. E já estou esperando pelo oitavo e o nono. Não existe nenhuma definição que não seja a de que há uma certa conexão, algum tipo de compreensão que Tim e eu temos de que não falamos na maioria das vezes. A maioria das pessoas que nos veem conversando sobre um personagem ou sobre qualquer coisa no set ficam confusas, completamente perplexas e não sabem sobre o que nós estamos conversando. Um cara veio uma vez me falar, depois de me ver conversando com Tim por uns dez minutos, e disse: “Não entendi uma palavra do que vocês estavam dizendo”. Então, eu não sei. Eu acho que é uma daquelas coisas que não se questiona, mas certamente eu o amo.
SW: Você já pensou em ser um personagem tipo Robinhood, que tira dos ricos para dar para os pobres?
JD: Isso é o que eu tenho feito por vinte anos! [risos] Quer dizer, é verdade. Eu comecei fazendo camisetas em silk screen. Eu vendi canetas tinteiro. Trabalhei como pedreiro. Trabalhei em um posto de gasolina. Fui frentista de posto. Fui mecânico por um curto período de tempo. Eu trabalhei na rede de esgotos. Eu tive alguns trabalhos bastante desagradáveis naquele tempo. Mas desde então, por volta de 1986, eu comecei a tirar dinheiro dos ricos.
SW: Você mencionou anteriormente que a área onde Dillinger viveu era um lugar onde homens ainda eram homens. Você pode explicar melhor o que você quis com isso? E que tipo de envolvimento você tem na comunidade em que vive na França?
JD: Bem, não necessariamente a área, mas sim a época. Os anos 20, 30 e 40. Seja falando sobre moda, trabalho ou arte, ou qualquer coisa que esses homens e mulheres fizeram, havia um forte senso sobre quem era quem e o que era o que. Eu acho que o jeito que vivemos hoje… acho que a maneira mais fácil de se dizer isso é que existiam individualidade naquele tempo. Hoje parece que as pessoas são menos individuais, muito menos individuais do que eles eram. A maioria das crianças se vestem como qualquer outra criança de sua rua e todas elas falam uma espécie de dialeto local. Mas no passado, cara, você tinha Cab Calloway, Harry The Hipster Gibson e Mezz Mezzrow [todos os três músicos do jazz]. Já hoje você tem a exclusão da estranheza. Naquele tempo você tinha Tom Waits [músico e ator norte-americano] e Hunter Thompson [jornalista e escritor] e Bob Dylan. Mas hoje eles são muito menos em número e muito distante uns dos outros.
SW: Estou surpreso que você tenha vivido tanto tempo na França e ainda não tenha feito um filme lá. Você tem algum plano de fazer um filme lá?
JD: Bem, como eu estava dizendo antes, minha agenda está muito complicada no momento, está um pouco cheia, mas eu tenho planos de um dia fazer mais trabalhos na França. Eu fiz um filme, que eu costumo chamar de “O Impronunciável”, de um cara chamado Yvan Attal com Charlotte Gainsbourg. Eu tive um pequeno papel nesse filme. Foi bem divertido fazer cenas em francês. Agora falando na comunidade onde vivemos, nós damos pequenas voltas nas redondezas sempre que podemos, mas ultimamente eu tenho ficado tanto tempo em locação que eu não sei mais nem em que fuso-horário estamos. É sério. Eu posso estar em Puerto Rico nesse momento. E eu meio que ainda estou… [risos].
SW: Você fala sobre se sentir confortável na época do John Dillinger. Você acha que ele se sentiria confortável na nossa era, ou ficaria mais para um peixe fora d’água?
JD: Eu acho que provavelmente ele iria sair correndo gritando. Realmente acho. O mundo é tão grande hoje. Eu mesmo fico chocado com as coisas que eu vejo. Fico chocado com as coisas que estão disponíveis na internet. Fico chocado com o que a tecnologia tem prometido para os próximos anos. Você acaba ouvindo em algum lugar da sua mente Albert Einstein dizendo: “Não sei como será a Terceira Guerra Mundial, mas sei como será a Quarta: com pedras e paus“. Então… é, eu acho que ele sairia correndo.
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Beijos Pessoas!
Fê
depp como sempre...muito inteligente nas suas respostas
bjus