11/10/09
Não estou bem certa de quem sou
Nem do que devo ser
Eu nunca disse ser normal
E nem que queria sê-lo
Então, me deixe em silêncio com minha loucura!
[i]Em meio a todos, ela não suportou mais aqueles demônios que a atormentavam, sua sanidade tinha chegado ao limite, toda a solidão que sentia, as dores que a retalhavam, a existência que a sufocava, procurou por anos, e estava realmente cansada de continuar procurando saídas que não existiam. Era prisioneira de sua mente, de seu estado mental, cada vez mais, sua alma sangrava, e o que sentia tinha se tornado um veneno cálido, que tomava a goles secos e desmedidos todos os dias, estava morrendo, e nada podia mudar isso, e ao certo, ela nem sabia como poderia mudar. Ninguém a via além do que ela podia ser por fora, enquanto seus olhos tornavam-se cada dia mais escuros como uma noite entre brumas, gritava desesperadamente para que alguém conseguisse compreender que seu sorriso era tão falso, quando o que acreditavam que ela ainda poderia suportar, mas não, ninguém via, nem queria ver na verdade. Todos ao seu redor eram apenas pessoas cegas, que viviam em mundo de ilusão que ela não mais compreendia, e nem sabia se de fato tinha feito parte, talvez um dia, mas este estava distante, em tempos que não se recordava mais que tivesse feito parte. Seu tempo não era mais contado como o dos homens, ela vivia agora em outro tempo e espaço. O que a machucava, não era a solidão, com isso ela já havia aprendido a conviver, ela só não conseguia mais compreender o que a mantinha aqui, se não tinha motivo algum para viver, para suportar mais um dia aquela coisa toda, que a tomava por dentro, mas não se auto-explicava, apenas existia com seu vazio mordaz e efêmero. Todos estavam distorcidos a sua frente, não conseguia mais discernir uma pessoa da outra, todos eram a mesma coisa, vazias, frias, insensíveis, que a julgavam louca e problemática, todas com seu estereótipo padrão da sociedade, que viviam a utopia da felicidade que não compreendiam, e nem ao menos sentiam de fato, não conseguia acreditar que alguém sentisse o que não compreendia. Ela era como um vulcão vivo, pronta a explodir a qualquer segundo, e sentia que aquele era o momento que mudaria sua vida inteira, mas não podia se conter, não havia mais como segurar um universo infinito em apenas uma alma limitada e cansada, e sem pensar, sem planejar nada, ela gritou alto:
- Chega! Eu não quero, eu não suporto mais!
Pôs as mãos na cabeça e a abaixou, e apertou os dedos contra o cabelo tentar arrancar alguma coisa, fechou os olhos forçando-os a ficar assim, todos pararam suas conversas tolas, e a fitaram espantados, era visível na expressão de casa um, que não entendiam o que estava acontecendo, o que por anos esteve a frente de cada um deles, se tivessem fitado-a dentro dos olhos, se a tivessem tocado de uma forma diferente, saberiam e entenderiam tudo o que estava acontecendo, entenderiam a dor que agora emanava dela. Era como se seu corpo projeta-se aquilo como em ondas, uma energia fora de controle, algo grande demais, que todos sentiam mais não sabiam explicar, estava fora do que eles poderiam chegar perto de entender, anos luz longe do que poderiam. Alguém, que ela não sabe quem, movimentou-se para tocá-la, ela sentiu seu corpo contra as ondas de energia, ela se aproximava cada vez mais, e ela novamente gritou.
- Não! Não se aproxime, não quero que me toquem, não quero, não quero, não quero...
E sua voz foi esvanecendo lentamente, até que apenas sua respiração pesada era audível, ninguém conseguia se mover, ela não conseguia sair de onde estava, longe dali, sua alma havia desprendido-se, estava em outra dimensão, longe, muito longe dali...
Parte de um capítulo de meu livro...
ei sumida...tudo bom?...
desisitu de dar um tempo no fotlog?...que bom!!!
como estás?.....
beijão...