Incongruência – Parte 2
3/2/09
Aproveitando a polêmica do texto anterior, gostaria de narrar um fato similar que me aconteceu ontem (02/03).
Fui ao MAM ver a exposição do Vik Muniz e, em seguida, peguei um ônibus em direção a Ipanema para tentar desfrutar dos últimos raios de sol do domingo. Desta vez o ônibus era o 154, com ar condicionado. Em meio ao calor que fazia às 15h30, respirei aliviada e pensei: “pelo menos um pouco de conforto e tranquilidade até a praia”. Puro engano. Com o fim da apresentação do Monobloco, na avenida Rio Branco, esse foi o pior horário para utilizar o transporte público em direção a Zona Sul.
Foliões alvoroçados, seminus no coletivo, bebendo, fumando e urinando no espaço confinado, dançando desavergonhadamente diante dos meus olhos incrédulos. Foi a visão do inferno e eu não conseguia tirar meus olhos daquela cena patética. Homens malhados depiladíssimos (eram mais lisos que uma mulher, eu juro) se movendo estilo o lacraia do funk, vomitando impropérios e agarrando todas as menininhas de boa ou má índole que se mostravam mais fáceis, entre outras barbaridades. É impressionante ver o comportamento das pessoas em épocas como essas. É uma busca de libertação, uma ânsia de desapego. Naquele momento me lembrei do Incongruência (agora parte 1). E comecei a rir por dentro. A rir da insanidade alheia. A rir da minha própria insanidade.
Ainda é carnaval. E mesmo se não fosse, não teríamos salvação. E como bem dito o jargão do carnaval: Se joga, “ném”!
E para os crentes mais beatos:
Deusmelivreeguardedetodomauamém!
"...Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime. "
Alvaro de Campos (para respeitar as máscaras!!!)