Difícil discordar que a origem do sofrimento humano inevitavelmente floresce de nossos desejos...Quero dizer, hoje em dia não é visto como nenhuma novidade aquilo ja exaustivamente abordado por Sidarta Gautama (se é que ele realmente existiu e não é só o pseudônimo de mais algum intelectual desatarefado do oriente), a máxima do budismo, de que sofremos pois queremos fazer sexo (ok, talvez tenha trocado com a máxima Freudiana..De qualquer forma, considere-a precisa o suficiente para nossos propósitos)..
O fato é que fomos moldados de forma a sempre desejar (se à forma e semelhança de nosso criador, então está explicado sua constante necessidade de se entreter, criando figurazinhas para depois xeretar suas vidas), gerando talvez o combustível interminável de nosso "will to live" (vontade de viver)(como diria schopenhauer).. O problema mora ai, os desejos somente nos impulsionam pois nunca podem ser satisfeitos plenamente. (fácil entender que caso fossem, o combustível seria esgotado)..
Os mecanismos cerebrais envolvidos neste brilhante, porém sádico ciclo-vicioso, são os mais diversos (e muito bem caracterizados e entendidos), e vão desde a regulação por biofeedback de neurotransmissores, até o esconde-esconde de receptores neuronais..
A engenhosa solução para o problema, formulada pelos carecas amantes da meditação e perseguidores irredutíveis do "nirvana" (parece que no final das contas eles só não se livraram do desejo de se desprender do desejo, um debate filosófico em tanto) , é o "desprendimento" de tais desejos básicos.. Treinam a mente 24 horas por dia (menos as do sono, esse "desejo" paradoxalmente só conseguiu ser amplificado pelas horas de meditação) para se desprender, para não depender do prazer considerado oriúndo de algum desejo...Pra mim o mais difícil nem seria o celibato, o rompimento com a bebida alcoólica ou deixar de lado a sobremesa chamativa de chocolate, mas sim passar horas a fio na companhia de pessoas tão bondosas e calmas (primeiros sinais de desconfiança)..
A solução é legítima, e, repito, engenhosa.. Porém os efeitos colaterais são bem mais sérios, tanto metafisicamente quanto financeiramente (levando em conta que monges não trabalham).. Vamos nos ater aos primeiros.. No momento em que você busca fugir do sofrimento, mediante o treino constante para se desprender do mundo no qual vivemos, você automaticamente abdica a vida..Da mesma forma que não sofre, não vive.. A vida não é exatamente isso??? Basta assistir as palavras de Pedro Bial em "use filtro solar":
"Guarde suas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários.
Algumas vezes você ganha, algumas vezes perde... "
Auto ajuda a parte, estar vivo é isso mesmo..Estar constantemente insatisfeito, buscando algo que se sabe não vai te tornar completo (qualquer semelhança com o amor é merda conhecidência), e mesmo assim dando risada e bebendo com os amigos na sexta para fugir da segunda..
Infelizmente não me informaram quantas vidas terei para viver, mas com um leve toque de pessimismo (o mesmo que levo para lidar com questões existenciais), admito o pior cenário possível (Uma fração de UMA)... E garanto que não vou desperdiça-la fugindo dos meus desejos apavorado de medo do sofrimento...Continuarei bebendo na sexta para fugir da segunda..
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saludoss;)