BARBOSA ETERNO - O BOM VELHINHO (III)
3/9/09
"BARBOSA, O BOM VELHINHO - Contra os nove melhores ataques do Brasil o veterano goleiro brilhou em toda linha - A torcida carioca soube rebatizar o veterano Moacir Barbosa. O bom velhinho. O apelido mostra bem o ambiente de simpatia que reina em torno do consagrado profissional. O bom velhinho. Barbosa, quando parecia acabado para as grandes pelejas do futebol brasileiro, voltou em forma mais esplendorosa do que nunca. Tão lépido, ágil, elástico em 1959 como o fora em 1950, ou mesmo em 49, e ainda antes. Depois de muitos anos a serviço do esquadrão de São Januário, Moacir Barbosa foi para o nordeste, no futebol pernambucano. Lá voltou a brilhar. O Vasco, posteriormente, vendo-se sem goleiro reserva, mandou chamá-lo de volta. E Barbosa voltou, viu e venceu. Disputou todas as partidas do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, defendendo o último reduto do Vasco da Gama. Jogou nove vezes consecutivas contra os nove melhores ataques do Brasil, ou sejam, os dos grandes clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo. Saiu-se airosamente de sua missão. A sua média foi notável. Menos de um gol por partida. Engoliu, no total, seis bolas. Mas não se diga que isso deveu-se à forte defensiva vascaína. Não, Barbosa, todas as vezes, quando chamado a intervir, o fez com a velha classe que o consagrou e levou ao posto que aatualmente é ocupado por Gilmar. Durante oito partidas, as oito primeiras, a proeza estava ainda mais notável. Apenas três bolas tinham entrado no seu gol. E se não fosse o Santos, com o seu infernal ataque cheio de Pelés, Coutinhos, Jair... Se não fosse o XI praiano marcar três tentos em um único cotejo, Moacir Barbosa teria realçado ainda mais a sua proeza. Mesmo assim, foi a melhor campanha já desenvolvida por qualquer goleiro na história do famoso e magno torneio. No primeiro cotejo do Rio-São Paulo deste ano, contra o Corinthians, Barbosa viu-se vazado. O jogo terminou 1 a 1. Daí para a frente o veterano guardião atravessou cinco jogos imbatìvelmente, invicto. Os adversários foram: São Paulo (0 a 0), Palmeiras (3 a 0), América (0 a 0), Flamengo (0 a 0) e Botafogo (2 a 0). Somente foi vencido novamente contra o Fluminense, quando o Vasco ganhou por 2 a 1. A Portuguesa iria conseguir o terceiro gol contra o seu arco, quando o time cruzmaltino, mesmo em São Paulo, ganhou de 4 a 1. Finalmente viria o Santos marcar três gols contra nenhum, no encerramento do Torneio.
Texto transcrito de um artigo publicado na Gazeta Esportiva Ilustrada da 2ª guinzena de maio de 1959.
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