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Terremoto

Faz tempo que não escrevo algo e acho que essa é uma boa oportunidade para retomar. Não boa porque a notícia o seja, mas pela dimensão do fato. As próximas linhas que escreverei serão sobre um lugar no qual tenho um apreço muito grande. Falo sem pestanejar que lá vivi o melhor ano da minha vida.

Sexta-feira, 11 de março de 2011 acordei no mesmo horário de costume e fui me preparar para o trabalho e para viajar para Maringá a noite, onde no dia seguinte ocorreria à missa de 1ano do falecimento do meu avô. Dei uma olhadinha no Facebook para ver se alguém havia postado algo interessante, uma recomendação de leitura, um link curioso ou coisa que o valha. Deparei com uma notícia, acho que da The Economist, de um grande terremoto que acontecerá na última tarde nipônica. Fiquei assustado com o número que traduzia a dimensão da catástrofe: 8.9 (Que mais tarde foi corrigido para 9.0, o que significa o quarto maior sismo medido na história). Quando estava em Aichi havia vivenciado um tremor de 5.4 que acontecerá na província vizinha, Mie, e que já me deixará muito assustado.

Liguei a TV imediatamente para ter mais detalhes do ocorrido e havia sido pior do que eu imaginei. O tremor veio acompanhado de um grande tsunami, que potencializou os danos causados pelo terremoto. Carros, barcos, construções eram levadas pela água como se fossem brinquedos. As imagens eram muito dramáticas, infelizmente. Até o momento que escrevo esse texto eram mais de 10,000 pessoas mortas, sem contar os prejuízos econômicos e o perigo nuclear pelo vazamento da Usina de Fukushima ao norte de Tokyo.

Lembro dos japoneses como um povo bastante dedicado, que faz o seu trabalho com bastante esmero. Me vem agora a memória um trecho de O Último Samurai, onde o Capitão Agren comenta sobre as pessoas da vila onde ele estava: “Desde o momento que acordam eles se dedicam a perfeição em tudo que buscam”, isso é latente quando se esta lá. Compromissos são respeitados como contratos de sangue, a qualidade dos produtos é sempre a mesma e altíssima, o cliente é tratado como um rei. Sadô, Shodô, Judô e tantos outros caminhos (dô = 道 = caminho) são exemplos dessa busca pelo perfeito.

Quando estava lá, passei por Kobe para prestigiar um evento de final de ano chamado Luminarie. No início acreditei que era algo ligado ao Natal, pois eram luzes que lembravam a celebração cristã. Quando perguntei para saber o que era de fato, fiquei surpreso com o motivo. As luzes eram para agradecer às pessoas que foram solidárias a cidade num momento difícil dela.

No entanto, um povo com tanta disciplina, respeito pelas pessoas, pelo meio ambiente, gratidão, tem em sua geografia e história marcas fortíssimas de prova: um país minúsculo, com parcas áreas cultiváveis, tufões anuais, terremotos como o de Kobe (1995) e Tokyo (1855), o fim da Segunda Guerra com duas bombas atômicas e suas cidades arrasadas. Todos esses eventos foram e são superados recorrentemente. Os japoneses apesar da cordialidade e disciplina também são obstinados.

Por esses motivos acredito que apesar dessa enorme catástrofe, que deixou várias pessoas desabrigadas, órfãs, com fome e sede, os japoneses não se renderam à Natureza. Apesar do respeito a ela, tudo será reconstruído e quem sabe um dia visitando o Japão novamente eu me surpreenda com outro Luminarie.




On March 30 2011 9 Views




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Nagoya, Aichi, Japan





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