| AM, PM |

Adeus. A deus.

O post antigo era sobre o futuro. Então, neste final de ano eu escrevo um novo, sobre o passado.


O que sabemos sobre o passado é um átimo do total de registros de consciências neste ou noutros mundos. Sabemos não só pouco, como ainda confundimos as lembranças ao recriá-las. Então, qual é a importância do passado, e ele se intromete em nosso futuro por quê?

Uma teoria diz que o presente não existe, pois quando confrontamos algo com a mente é porque aquilo já aconteceu, e tão logo pertence ao passado. Assim também seria tudo mais que o futuro não abarque para si. Claro, no meio o presente poderia constituir algo, mas sem dimensão... e, pensando melhor, todo futuro não-acontecido não passa de idéias que assistimos em nossa memória passada.

Vivemos 100% de nossas vidas no passado, imperfeito.

Para que, então, viver num passado imperfeito como o é? Qual é a lógica disso?
Ah, agora chegamos à REAL dúvida...

Outro dia um primo do meu melhor amigo (daews Luchieee!) me mostrou um site que descreve como um blogueiro deveria postar. A principal dica era simples: escrevermos apenas sobre o que estamos aprendendo. A lógica disso, como o mesmo dizia, é que isto tornaria o texto muito mais interessante ao leitor. Indo mais além pude imaginar que tudo em nossa vida funciona do mesmo modo. Somos autores a descrever histórias sob um ponto de vista egoísta, e o que torna tudo mais interessante é que uma vida não é igual à outra. Todos os autores também são marinheiros de primeira viagem...
Seriam?

Se você pensar que nossa consciência começa com “esta” vida ou muitas vidas atrás, ainda assim a começamos sem saber de nada anterior. Aparentemente não guardamos nada além de um enjôo de viagem e fome por conhecimento. A importância do aprender parece ser maior que a do aprendizado...

Vivemos 100% de nossas vidas no passado, imperfeito, e misterioso.

Qual seria a lógica deste mistério, que nos faz humildes frente ao tempo e tementes da perda de nossas memórias mais do que qualquer outra coisa? Ok, agora que fizemos a parte difícil de formular uma pergunta explicando o problema, é só olhar de perto e achar aí a sua resposta.

Caso todos nós nos lembrássemos de tudo, veríamos o mundo um tanto mais como o criador o vê, e não como uma criatura. Estaríamos perdidos em infinitos pensamentos sobre preocupações que se estenderiam pela eternidade. Guardaríamos regras complexas conosco, e nunca teríamos o trabalho de sintetizar o conhecimento. Não seríamos mentalmente humildes o suficiente para isto.

Não, nosso mundo e nossa existência parecem claramente voltados para a síntese do conhecimento adquirido. O conhecimento tácito, que só nós somos capazes de prover, após retirar os nutrientes da terra. Trata-se de algo além de encenarmos histórias para ninar um deus. Estamos alimentando nosso universo com algo único e que este seria incapaz de obter de outra forma.
A humildade é o que necessitamos. Humildade para lutar por um passado bom, e então deixá-lo ser colhido pelo tempo, sem temores.

Olhe para si como à foto acima, e veja seu papel nesta colheita. Nasça, cresça e crie então o seu fruto, o mais belo e doce possível... e ofereça-o a deus neste passado infinito.
Só o entregue logo, antes que o fruto se torne simplesmente... passado.


A deus.
Adeus…



| Viagem do dia: “History doesn't repeat itself, but it does rhyme.”– Mark Twain |

| No início parecia um: Simple Plan – The End |


P.S.: Deixo aqui minha oferenda, a uma criatura bárbara... beatriz:


“Eu te amo

Esta é a história por mim
Cantada não do meio, nem do fim,
Mas sim como vi, sem final ruim,
Pois meus começos são sempre assim.

No início éramos seis.
Eu vim por ela, não vocês.
Meu plano simples, sem talvez,
Não muito longe se desfez.

Algo em mim não se satisfez,
E te admirar deu os porquês.
Essa vida tem leis:
Sem rainhas, sem reis.

Coroada de verde espertez,
Peã promovida em meu xadrez.
Sorrias com tanta rapidez
Que esqueci minha aridez.

Sonhei nova vida em minutos.
Nem perfeitos nem absolutos,
Eu e você não somos mais nada
Que o tudo que podemos juntos.

Assim, que a minha súplica ritmada,
Lida tal conto de fada
Vá e transmute insultos,
Secando suas lágrimas de almofada.

Porque sei que mudei meu passo.
Hoje o mundo me anima,
Já que em tudo que eu faço,
Em ti acho rima.

Mas o ideal não vem conveniente:
É urgente tocar rosa e espinho.
Muito mais que um mero acidente...
Estrela cadente em meu caminho.

Ainda que cegue a procuro
E não estarei mais no escuro.
Ainda que suma no passado,
Terei o seu fulgor estampado.

Fecho os olhos, mas não durmo.
Sonho acordado, sem rumo.
Não sei mais onde é meu lar,
Enquanto a ti não abraçar.

Minha mente não quer descansar;
Dores no peito... falta de ar.
Penso mais em você
Do que em respirar.

Certas coisas pedem um plano,
Outras dias, meses ou ano.
Hoje escrevo e declamo
Pra lembrares que...”

On December 30 2008 Edit







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