Disse que, a partir do momento em que você não vive experiências novas, em que não aprende coisas novas, a partir do momento em que passa a viver numa mesmice, você começa a sentir a vida passando mais rápido, podendo até chegar ao ponto de não conseguir diferenciar ontem de dez anos atrás.
Eu tenho mó medo disso.
Será que eu tou me acomodando assim?
Fica realmente mais complicado, inclusive financeiramente, se aventurar por aí à medida em que o tempo corre.
A gente passa a consolidar a própria personalidade de um modo que vai nos tornando cada vez mais fechados ao que a gente não gosta ou não concorda, ou às coisas que tememos. Em vez de visarmos à uma expansão mental interminável, que aceita e respeita tudo ao redor, tendemos justamente à construção de bloqueios mentais que condenam e ignoram tudo aquilo com que não simpatizamos.
Assim vamos nos tornando velhos ranzinzas, cada vez mais convictos das nossas verdades, cada vez mais trancados no nosso narcisismo.
E no fim, mano, nada dessas verdades, desse orgulho que eu quero ter de mim, é realmente importante.
Daqui a quatro bilhões de anos, tudo será esquecido.
Vale a pena ficar paranoiando com tanta minúcia, com tanta invençãozinha louca que existe neste imenso mundinho?
Vale nada. Viver é o que vale.
Agradecer, a deus, a jah, a quem você quiser, até a você mesmo, por estar plantando nesse espaço de tempo, por estar aqui neste pontinho do universo.
Se não puder agradecer (às vzs tudo isso irrita), o negócio é continuar tentando fazer o melhor pra não se ter arrependimentos no final.
"Viver é muito perigoso", já dizia o sábio jagunço.
Quanto ao resto, vai tudo de boa.
Leio, toco violão, ando de skate. Nesse dia da foto, atropelei uma coruja. A gente voltou pra ver o cadáver, e depois de um milagroso toque, ela se levantou e saiu voando heheh. Vai ter o juca, vou voltar a trabalhar. Os milagres, tédios e ansiedades desta vida...
"I got a strong urge to fly. But i´ve got nowhere to fly to..."
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