Americana
6/11/09
[SÃO JOSÉ] A epopéia do amor incondicional
São 4h da manhã, o relógio desperta. Rapidamente me levanto e visto a camisa do São José e penso: chegou o grande dia!!! É hoje!!!
Saio de casa rumo ao Martins Pereira, a medida que me aproximo começo a escutar gritos de guerra e o batuque da bateria. Olho ao meu redor e percebo que de todas as direções chegam pessoas com o mesmo objetivo. São 4h40 da madrugada.
Chego a porta do Martins Pereira e me surpreendo com a cena, pessoas de todos os tipos: crianças, adultos, idosos, mulheres, negros, brancos, amarelos, todos unidos por um único ideal. O lema desse povo: "eu acredito!!"
Os arredores do Estádio está repleto dos cavalos de batalha, responsáveis por levar uma multidão a frente de combate: o estádio Decio Vitta em Americana.
Embarco no ônibus 03 e logo observo o seguinte cartaz, "vamos vencer". As esperanças se renovam, o coração enche de coragem. Estou preparado para tudo.
A cada ônibus que partia, a torcida que ali estava, em um cordão de energias positivas, despachava seus torcedores para a estrada. Um a um, cada veículo passava no meio de torcedores da Mancha e outros comuns que bradavam hinos de vitória. A primeira cena inesquecível.
A primeira parada foi em um posto de gasolina beirando a Dutra e lá outra cena ficará para sempre na memória: a marginal da Dutra completamente tomada e fechada por torcedores gritando e cantando. Os carros, caminhões e motos que ali passavam eram obrigados a reduzir por completa a velocidade e se infiltrar no meio da multidão que esta enlouquecida.
Logo penso, que time é esse que faz os torcedores acordarem cedo no domingo para vê-lo jogar. Um senhor, no meio da escuridão do ônibus, me responde: "isso é mais que um time, isso é amor".
Todos os ônibus no posto, a caravana parte para Americana. Todos dentro de cada veículo cantam e sonham com o acesso.
A viagem transcorre com tranquilidade e a cada parada as pessoas se surpreendem com o movimento. Em um posto na Rodovia Dom Pedro, um frentista me pergunta: "é jogo do Corinthians?". Respondo: "Não, é muito maior, é jogo do São José, a Águia do Vale". Atônito, ele apenas sorri.
Carros e Vans nos saudavam pelo caminho.
Chegando em Americana, uma das cenas mais lindas da minha vida, um comboio de cerca de 27 ônibus enfileirados tomando a aquela cidade.
Logo paramos, fico apreensivo, já são 9h20, quase perto do horário do jogo. A Polícia Militar obriga todos os torcedores a descer dos ônibus e passarem por uma revista degradante. Nos seguraram ali naquela situação por cerca de 30 minutos. Perdemos o início do jogo.
Dentro do ônibus, o rádio informava o 1º gol do Rio Branco. Me senti impotente, um lixo por ainda não estar no estádio.
O Comboio seguia, um a um, e de repente aponta o modesto estádio e ouvimos o locutor da rádio local atônito: "Meu Deus, não acredito, é uma invasão. Acaba de chegar ao Estádio cerca de 20 e tantos ônibus da torcida do São José". Os ânimos se erguem, a torcida começa a desembarcar e correr para a entrada. No caminho gritos: "o São José chegou, o São José chegou".
Já eram quase 20 minutos do primeiro tempo quando cheguei ao campo e percebi que a torcida do Rio Branco tremeu com a invasão joseense.
O Estádio dividido, a cada minuto novos torcedores da Águia tomavam seus lugares na arquibancada. Eram os da Mancha, os Guerreiros, a Aguiardente e pessoas comuns, como eu.
O grito que vinha da torcida abafava o restante do estádio. Aquilo ali era inesplicável. Como pode um time pequeno atrair tantos fanáticos? Como pode um time tantas vezes negligenciado mudar a rotina das pessoas?
E o jogo vai caminhando e com o passar do tempo, a esperança do acesso vai se esvaindo. Mas o amor só aumentando. Vem a expulsão, o segundo gol e o apito final. O sonho tinha se acabado.
Por incrível que pareça, a torcida continuou no estádio, cantando, gritando, aplaudindo, bradando o seu amor incondicional por um time.
Os jogadores emocionados iam ao encontro da massa. O volante Ivan chegou a se ajoelhar e reverenciar todos que ali estavam.
As lágrimas corriam do rosto dos mais fanáticos. Vi idosos, crianças e até marmanjos chorando. Eu fui um deles.
Determinado momento fiz uma reflexão pessoal em silêncio. Pera aí, o São José não tem uma torcida, é a torcida que tem o time. Não existe nada comparado em todo Brasil, com exceção a determinados times, mas a torcida da Águia é única. A maior do interior.
Já no ônibus, todos de cabeça baixa, sentidos e em silêncio, um garoto começa a falar, "isso eu já falei, o águia eu te amo e sempre te amarei". Aquilo encheu meu espírito de brilho e entendi tudo aquilo que me indagava.
SÃO JOSÉ, MEU AMOR POR TI É INCONDICIONAL!!! DEUS, OBRIGADO POR SER JOSEENSE!!! OBRIGADO POR ENCONTRAR UM AMOR INCONDICIONAL POR UM TIME SINCERO!!!!
SÃO JOSÉ, NA DERROTA OU NA VITÓRIA, VOCÊ É ÚNICO!!!!
SÃO JOSÉ, OBRIGADO POR ME PROPICIAR ANOS INCRÍVEIS!!!!
oun citrusinho, sao seus olhos :P
:*