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8/19/09
Insone e ouvindo Finch.

É claro que acabaria dando em merda. Porque começar a lembrar das antigas não costuma me deixar calma e relaxada o suficiente pra conseguir dormir. Na verdade, Finch me deixa inquieta. Muito inquieta! Eu volto a reviver aqueles dias em que tudo parecia mais fácil e divertido. Onde preocupações como pegar dependência na porcaria de Português (vulgo Semiótica na minha faculdade) e pagar aluguel de apartamento não co-existiam. Aliás, elas sequer eram cogitadas. Eu pensava em cursar Direito e Dallas Green não tinha mudado a minha vida ainda. Eu não havia passado por experiências românticas traumáticas e nem imaginava o que era a tríade Signo, Objeto e Interpretante. O português ainda era a merda do português, não haviam novas e idiotas regras ortográficas que eu não sei e não quero seguir. Ser adolescente tinha aquele ar de liberdade que há muito eu não sinto soprando a meu favor. Ser adolescente não doía tanto.

Com 14, 15 anos costumamos achar que o mundo está contra nós e que nada pode ser pior que levar um pé na bunda daquele pivete que tem carinha de bebê e usa a calça pra baixo do joelho. Com 14, 15 anos costumamos achar que o maior mico da paróquia é ser deixado na porta de uma festa pelos pais. Com 14, 15 anos nós não sabemos que o pior, na verdade, ainda está por vir.

Ficar acordada e lembrar de todo um passado no qual você não tinha tantos problemas e a quantidade de gordura espalhada pelo corpo era relativamente menor me deixa inquieta. Inquieta e incrivelmente nostálgica. E me leva à um ponto ainda mais perturbador - às páginas dos arrependimentos daquilo que não foi feito. E foram tantas coisas...

Eu acho que metade da nossa vida deveria ser vivida na adolescência. A dor de ser adolescente e de se sentir adolescente é deliciosa perto da dor de crescer e se sentir crescendo. As vezes acho que deveria existir sim uma Terra do Nunca, mas isso seria se esconder e fugir da outra aventura que é viver, então talvez devêssemos nos conformar e simplesmente deixar acontecer. Sobreviver e viver, cronologicamente.

Ou talvez eu só precise da merda de um remédio que me faça dormir de uma vez e de menos regras ortográficas na minha vida. Só isso. É pedir muito?

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