o dia sem simetria
11/20/09
Tenho tentado, todos os dias, escrever meus sonhos.
Sonhos ou pesadelos, agora tem sido todos iguais. Tento acordar e escrever, pra todo dia na hora eu saber o que fazer.
O problema disso tudo tem sido que eu não acordo mais. Não tenho mais como escrevê-los e depois descrevê-los que nunca mais acontecerão.
Tenho adiado todas as minhas conversas, e delas o que vem são só resmungos, cochichos que me arrepiam os ouvidos.
Seguro um lenço que cai e tento de tudo lembrar a partir de quando tudo existiu. Apagadas as minhas lembranças estão, e o que agora tenho são esses pesadelos que não me dizem a hora, de acordar, de dormir, de terminar. Meus pensamentos, meus poros, meus alvéolos têm sugado toda essa sujeira interminável. Tento dizer e quem não crê é você, sujo com essa sujeita você é interminável. Minhas papilas pedem o que eu não quero, o que eu não preciso.
Todas as noites eu fico sem trazer um sonho. Por que me disseram que já acabaram. Nem em falta estão, acabaram e só.
Todas as vezes penso que coberta me aquece. E eu não tenho. Perdi desde quando não me lembro disso aqui.
É um som, umas vozes, vozes que me atrapalham. E eu não tenho esperado...até quando tudo isso faria sentido. Perdi o meu intento: joguei o que restou pelo ralo e ainda lá estaria, se a porta não estivesse aberta.
Porque hoje você trabalha. Porque ontem você dormiu e eu conversei, você riu e eu chorei. Você um banho tomou enxaguou tuas vírgulas e reticências e se aqueceu na coberta que tem. E eu: me sujei.
Desde quando tudo passou a ser tudo? E nada, embora soubesse, diria algum dia, quase fui um tudo.
A quarta nota é falsa. E assim, odeio todas as quartas. Veja agora esse fracasso. Liberdade, ninguém a conhece. Desvio seu olhar e caio num canto qualquer que nada diz. Um canal fora do ar, esse teu olhar.
E de tudo, o que mais quero, é ser sincero. E isso, no tudo, é bem relativo. Você não acreditaria de novo se, de novo, eu repetisse... não fui eu, não fui eu, não fui eu, eu, eu...Não deixei de cansar e isso a toda hora repete sem eu pedir.
Se me permitissem agora pedir, apenas isso, pedir...Pediria que com você quero falar. Não me deixam, não me cobrem nem permitem que eu me aqueça, com o que eles não sabem. E eles não sabem. E como pode?
Sincero, só você. E quem acredita em você, Sincero?
Nem quero saber. A mim não fazem mais do que querer saber. Eles querem, e eu nem quero nada mais do que
nada saber.