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“QUE FILME ESCURO DA PÊGA!”

A exclamação de minha mãe referia-se primordialmente à iluminação exígua de “Porto das Caixas” (1962, de Paulo Cézar Saraceni). Entretanto, a penumbra assola também os caracteres dos personagens. Na trama rasteira, apenas uma situação, estendida até o píncaro da insuportabilidade: uma mulher sendo maltratada por seu marido e buscando alguém que o mate. Compra um machado na feira e anseia para que algum dos seus eventuais amantes se disponha a assassiná-lo. A vida segue lenta, compassada, asfixiante. Até que a morte bruta chega, e tudo continua como estava...

Poderia alegar que vi este filme por acaso, mas havia uma razão especial: recentemente, um amigo que vira toda a filmografia truffautiana em ordem cronológica pediu-me sugestões acerca de que diretor deveria conhecer. Pensei nalgum brasileiro, e o nome do carioca Paulo Cézar Saraceni (1933-2012) surgiu de maneira incisiva: sua obsessão temática pelas desventuras da repressão sexual no seio de famílias atormentadas pelos ditames capitalistas tem muito a ver com o cotidiano aburguesado do amigo em pauta...

Enquanto via o filme, um tormento intenso me sufocava: fui tratado com desprezo virulento por um rapaz que sabe como me ferir. Tanto que, à medida que os personagens do filme eram atormentados por suas angústias, eu sentia pena de mim mesmo, adormecendo logo em seguida...

Antes de vir para o trabalho, na manhã de hoje, faltou energia elétrica.
Que escuro da pêga!
WPC>


cinema brasilidade amizade angústia tristeza identificação paixonite indiferença

On September 10 2014 at Sergipe, Brazil 93 Views



Avatar elpequenobird

Elpequenobird On 10/09/2014

Nossa,
você escreve muito bem.
Só que dificil.


Avatar alexandre2000

Alexandre2000 On 10/09/2014

A frase 'Que escuro da pêga!' deu até duplo sentido rs


Avatar icaraima

Icaraima On 10/09/2014


Conheço alguns "amigos" com essa "rara" tendência : desprezar, ignorar, fingir e trair > que

fazem cada ação do verbo, ser como "tapa na cara". > Mas, aprendi a fazer de conta que não ouvi, não vi e não falo. Isto porque não me alcançam tais atitudes. "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória!. Que colham, então!


Abraceijo!


Avatar icaraima

Icaraima On 10/09/2014



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uh la la! exagero seu; "é preciso chuva para florir", ou seja, é preciso amigos de bom gosto, que sabem expressar-se de forma carinhosa para dizer sobre poemas e textos, e tu sabes bem! e és "capaz de ser feliz" (pedacinhos de Almir Sater) entre aspas, tu sabes..

sobre ser porta-voz da vida, nem imaginas... se depender de gabarito, estou na "pindaíba" cansada de esforçar-me; ainda bem que tenho amigos (dos dedos de uma apenas mão) como renho a ri.

um abraçaço!

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