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“É FÁCIL CONDENAR AS PESSOAS.DIFÍCIL É COMPREENDÊ-LAS!”

Quando eu sentei-me diante da TV para ver “Leonora dos Sete Mares” (1955, de Carlos Hugo Christensen), pensava que eu estava cumprindo uma obrigação burocrático-filmográfica, visto que, desde a semana passada, estou mergulhado no ‘corpus’ de seu diretor. Qual não foi a surpresa ao me deparar com um filme ótimo, quiçá um dos melhores do realizador.

Na obra, o astro argentino Arturo de Córdova interpreta um homem apaixonado pela personagem-título, que desaparecera misteriosamente. A angustiada irmã da mesma (interpretada por Susana Freyre, então esposa do diretor) adquire síndrome do pânico e fica confinada em casa, num desespero crescente. Ao deparar-se com seu cunhado, informa que Leonora está morta, que tentara o suicídio após uma crise de cleptomania. Mais à frente, ele descobre que ela ainda está viva, roubando damas ricas que visitam terreiros de macumba, a fim de manter a sua compulsão por maconha. Deve ter sido um escândalo à época: o roteiro impressiona!

Além de ser muito bem-feito, o filme me fisgou por um simples detalhe: numa cena, vemos o telefone da protagonista fora do gancho. Era como o telefone daqui estava naquele instante, visto que minha mãe permanecia iracunda e eu tentava evitar que ela destratasse prováveis interlocutores. Pena que o filme seguinte do diretor [o medíocre e propagandístico “Meus Amores no Rio” (1958)] me decepcionou sobremaneira...

Que venha “Viagem aos Seios de Duília” (1964)!
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On May 04 2015 at Sergipe, Brazil 37 Views






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