.primavera
quantos dias ainda levaria até que eu pudesse te ver desabrochando? esquecendo aqueles dias tristes de solidão e solo úmido, as dores silenciosas de folhas nascendo sem permissão. quanto tempo? e então eu te veria se abrindo em flor, bem aqui nessas minhas mãos ásperas por camadas de mentiras cotidianas, diante dos meus olhos de um cinismo que é legítima defesa; porém tão macias - carinhos guardados, porém tão sinceros - lágrimas contidas.
tuas pétalas fauvistas e um tanto absurdas, preciosas, ainda (res)guardadas desse mundo cinzento de bastantes fumaça e concreto, sim, as queria muito. e nem pense em receios, esqueça essas tristezas do corpo, porque não te quero perfeita : faço questão desses pequenos defeitos que botam a gente encantado qual o quê.
e essas tuas raízes que um dia teriam lugar em mim, entranhando-se feito unhas compridas sobre meu peito, ramos delicados em volta do meu pescoço, elaborando essa minha seiva bruta - é costume, não sei ser diferente. e preciso dessa tua suavidade, em voz, em cheiro, em brasa, pra distrair do medo, pra resgatar meu contentamento, pra embalar minhas noites mais frias.
espero, flor, o tempo que for preciso. moletom e xícara de chá, pra enfrentar esse inverno tão comprido, mas sei
: primavera não tarda.
Photo uploaded at 1:04 AM
ai :/
aninha q é tanto :*