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Estava sentado sob a copa densa da árvore. Estava sentado à sombra fresca de um dia quente de inverno. Não entendia muito do tempo, mas estava ali, sentindo o sabor da juventude que sangrava a cada nova primavera. Estava ali sentado ao som dos pássaros que não entendiam o sofrimento do menino. Estava descalço. Formigas cambaleavam por entre seus dedos magros arrastando folhas e flores do que seria um belo banquete! Que deleite! Ele pensou.
Enquanto isso, o caminho das formigas escondidas sob o verde das folhas desenhava as mais lindas formas nos pés do menino sentado sob a copa da árvore. Fez-se uma extensa linha reta, desenharam o abstrato. Uma hora o menino estava certo que havia um coração verde a pulsar nos seus pés. Lembrou-se do coração vermelho sangrando entre o peito. Pensou no seu coração vermelho preso em sua caixa torácica. Lembrou-se de como seu coração era livre, de como caminhava entre outros corações com uma facilidade...
Lembrou-se que amava fácil. Que era doce, dócil, amigo. Lembrou-se de que tinha seu coração sempre à mão, para um amigo ou desconhecido. Para um novo amor. Para um velho e lindo amor. Para o tempo, para tudo. O coração era o menino e o menino era todo coração. Mas o que diabos aconteceu?
De repente o menino via-se apartado de si mesmo. Havia uma lobotomia, um desprendimento. Seu coração pulsava e doía ferozmente, ardia preso entre os ossos de um corpo que já não lhe cabia. O coração definhou amargurado, murchando todo o amor pra caber no peito frio. O coração deixou de ser bomba de carinho pra bombear apenas sangue. Sangue que escorre pelas veias e que sangra um conhecimento que ele já não tinha. Bombeava sangue e um cheiro esquisito de quem apodrece em silêncio. Um sangue que coagula aos poucos, formando crostas invisíveis. Muros, paredes, tijolos. Um templo enclausurado, um casulo, um caixão.
Um galho desprendeu-se da copa densa. Era o vento de inverno se pronunciando. O galho desprendeu-se e caiu no pé verde do menino. Matou as formigas que naquele instante desenhavam um coração esquisito.
Rapidamente, limpou o pé com as mãos e, sem graça, olhou assustado para o desenho vermelho dos pés. Um coração amorfo, sangrento. As formigas no desespero da hora da morte picaram os pés do menino apodrecido e fizeram drenar o amor. No desespero do último minuto, as formigas, as sábias formigas vermelhas, ficaram suas vidas nas veias escuras do menino sob o a copa densa da árvore. Era a vida que brotava da morte...
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foto:
|são.paulo|dezembro.1991
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http://www.youtube.com/watch?v=Q6FnndViPmA
Holas. soi cumbia :)
este es mi fotolog suplente! Agrego a todos los qe agreguen!
Fijte en mi fotolog i depaso dejame una firmita ok?
Te espero i agregame qe te agrego!