3/19/07
Pearl Jam - Ten (1991)
Mil novecentos e noventa e um.
Foi neste ano que o grunge dominou o planeta e colocou Seattle no mapa do rock. Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Alice in Chains, Mother Love Bone, Mudhoney, Temple of the Dog e Screaming Trees são apenas algumas das dezenas de novas bandas que surgiram nesta época, trajando bermudão e camisa xadrez.
Aqui no Brasil, a recém-inaugurada MTV vivia sua fase de ouro e pipocava diariamente os clipes desse pessoal, e a geração que crescia ao som (e à imagem) daquelas bandas desenvolvia um novo interesse pelo rock. Seja pela temática proposta pelas músicas em questão ou simplesmente pela nova “atitude” que revitalizava um estilo sempre estereotipado e gasto que é o do “roqueiro”.
Quando “Smells Like Teen Spirit” e “Alive” (do Nivana e Pearl Jam, respectivamente) chegaram aos olhos e ouvidos da juventude daqueles tempos, aquilo soava tão novo, tão revolucionário, tão agressor, tão contraventor que acabou conquistando sem dificuldade a fildelidade das pessoas. Parecia que finalmente alguém com opinião própria voltava a fazer hard rock de qualidade. E, num mundo que era dominado pelas também recentes epidemias pop de grupos como Ace Of Base e Stereo MC´s, o movimento grunge tinha o apelo de uma salvação.
“Nevermind”, do Nirvana, e “Ten” foram as pedras fundamentais do “grunge”. Representaram com brilhantismo único a filosofia do movimento (desde o peso das guitarras até a própria temática das letras”) e causaram um rebuliço nas mentes de jovens há tempos sedentos por sangue novo no rol de ídolos.
Entretanto, o fim dessa febre inicial mostrou que “Nevermind” – apesar do clássico que se tornou – padecia de uma leve inconsistência (característica infelizmente aguçada no desastroso “In Utero”).
“Nevermind” tinha singles estarrecedores, é fato, (Come As You Are, Smells Like Teen Spirit, Lithium) mas ao mesmo tempo estes eram prejudicados pela falta de força de algumas outras faixas.
“Ten” era mais consistente, mais coeso, mais versátil e mais universal – apesar de ser genuinamente grunge. E justamente por isso é fácil entender porque o Pearl Jam é a única banda do movimento que sobrevive até hoje.
As poderosas “Alive” e “Eevn Flow” são duas atemporais vitrines de uma musicalidade desenvolvida, aliada à fúria e à empolgação da certeza de que se estava construindo algo consistentemente novo e interessante. Ambas transformaram-se em clássicos absolutos do Pearl Jam.
As texturas construídas pelos talentos de Jeff Ament e Stone Gossard valorizam ainda mais a introspecção lírica de Vedder. Conflitos psicológicos em “Release”, violência urbana em “Porch”, traumas de infância em “Jeremy” e até justiça social em sua mais poética aparição nos lindíssimos meandros melódicos de “Black”.
Mesmo assim, o mais legal é que as músicas causam mais impacto pela sua forma – graças à competente banda e o timbre aveludado de Vedder, que carrega na dose emocionada de suas interpretações – do que pelo seu significado literal.
Ou seja, o que se ouve em “Ten” é uma banda totalmente entregue ao trabalho, totalmente espontânea e segura do conteúdo que produz, e – por isso mesmo – totalmente sincera. E esta característica ajuda o álbum a ficar ainda mais rico. E desde a primeira até a última faixa, "Ten" se mostra um disco de rock que não repele o ouvinte desavisado.
Muito pelo contrário. Mesmo nas músicas mais pesadas, percebe-se ali uma coerência capaz de suavizar a aparente abrasividade de uma “pauleira” e faze-la servir perfeitamente ao contexto. E é justamente este o grande mérito de “Ten”.
Quando estes garotos entraram no estúdio para gravar seu primeiro disco, mal sabiam eles que estavam produzindo a grande façanha de suas vidas, e que ela lhes renderia um futuro de sucesso e de respeito no mundo da música contemporânea. Para mim, ainda é o melhor disco de rock dos anos 90, por tudo o que é e representa.
Definitivamente, uma obra-prima.
O Ten faz parte da historia da minha vida, da minha relacao com a musica. Cada faixa me conta um pouco da minha trajetoria, de um tempo tao importante. E ate hoje (15 anos depois) nao consigo ouvi-lo sem me alterar. Espero jamais conseguir.