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O Cerrado Brasileiro...

Cerrado, Amazônia e Aquecimento Global

A 13ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-13), ocorrida de 03 a 14 de dezembro, em Bali, na Indonésia, enfim aprovou o chamado Mapa do Caminho, roteiro que deverá balizar as negociações sobre o regime global de mudanças climáticas – futuro substituto do Protocolo de Quioto.
Durante a Conferência, o Brasil apresentou a proposta de um Fundo de Proteção e Conservação da Amazônia. De acordo com o site do Ministério do Meio Ambiente (www.mma.gov.br), o “objetivo da iniciativa é transformar a redução das emissões por desmatamento em um sistema de financiamento da conservação e uso sustentável da floresta. Com isso, o País espera atrair recursos adicionais para conservação da Amazônia e demonstrar a viabilidade do mecanismo de incentivos positivos, em discussão na Convenção de Mudanças do Clima”.
A criação do fundo é sintomática. Todas as vezes que temas como desmatamento e aquecimento global são trazidos a baila, a preservação da floresta Amazônica tem lugar cativo. No entanto, pouco se fala dos outros biomas brasileiros e das relações que mantêm entre si. Neste sentido, o Cerrado, tantas vezes menosprezado por sua paisagem abrupta e retorcida, torna-se exemplo significativo.
Ocupando aproximadamente 204.000.000 de hectares do território brasileiro, o equivalente a soma das áreas da Espanha, França, Alemanha, Itália e Inglaterra, o Cerrado é abrigo de uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta. Segundo levantamento realizado pela Embrapa Cerrados, são mais de 10 mil espécies de plantas catalogadas, cerca de 159 espécies de mamíferos, 837 espécies de aves, 180 espécies de répteis, e 113 espécies de anfíbios. Suas riquezas naturais podem ainda ser observadas na variedade de solos e abundância de corpos hídricos, cujas nascentes irrigam boa parte dos demais biomas do Brasil, como os Pampas Gaúchos, o Pantanal Mato-Grossense, a Floresta Amazônica, a Caatinga e a Mata Atlântica.
Diante desse quadro, é extremamente preocupante constatar a falta de atenção dispensada ao Cerrado, e à riqueza nele abrigada, por pesquisadores e cientistas engajados na contenção do aquecimento global. Não seria demasiado afirmar que esse descaso tem raízes históricas. O Cerrado foi retratado por muitos dos viajantes que percorreram o território nacional no século XIX como lugar inóspito, selvagem, de baixa fertilidade. Mentalidade que, ao que parece, perdurou e se faz presente em pleno século XXI.
Visto como a “prima pobre” das formações geomorfológicas brasileiras, ignora-se o fato de que a sua biodiversidade está gravemente ameaçada pelo uso insustentável dos recursos naturais, pelos incêndios que lhe são característicos e que vêm sendo acirrados pelo homem, e pela expansão irregular da fronteira agrícola. Basta voltarmos os olhos aqui e acolá, para Goiás ou para a nossa região de Assis, ambos localizados em região de Cerrado, para sentirmos os efeitos mais visíveis do avanço predatório da soja e da cana-de-açúcar, como a desertificação, a erosão e o empobrecimento do solo.
Se as implicações imediatas desses fenômenos já são preocupantes, a médio e longo prazo colocam em risco as bacias hidrográficas que nascem e têm curso nesse bioma, como a do São Francisco, Tocantins-Araguaia e a do Prata, além de comprometer toda a cadeia ecossistêmica a ele relacionada. Isto porque, enquanto partes de um ecossistema, os biomas não são ambientes fechados. Ao contrário, há uma constante troca de energias e matérias entre eles, gerando uma relação de interdependência. Assim, grosso modo, um depende do outro para existir.
Não há dúvidas de que avançamos nas negociações e acordos para gestão sustentável do meio ambiente. Mas os esforços ainda são tímidos e insuficientes, e a proposta para o Fundo de Proteção e Conservação da Amazônia reflete bem o dilema e a ineficácia do “cobertor de pobre”. Dito de uma outra forma, a aclamada preservação da floresta Amazônica, tão necessária à manutenção das taxas de CO2 da atmosfera a níveis ambientalmente saudáveis, passará, invariavelmente, pelo problema da degradação do Cerrado. Fica, portanto, a urgência e necessidade de criação de um sistema de financiamento para a conservação e uso sustentável dos recursos naturais em termos amplamente abrangentes, capazes de gerir os biomas brasileiros em sua totalidade. Eis o desafio que se impõe.


[Fabíula Sevilha de Souza - publicado pelo Diário de Assis em 22/12/07]




On December 22 2007 77 Views



Avatar gabcasaqui

Gabcasaqui On 23/12/2007

Eu li e ía começar a fazer um montão de perguntas só pra ser bem chato e metido a intelectual mas não ía colar ¬¬' hahahha e como bom irmãozinho da capitar, prefiro dizer:

Uhu!
Ficou jóia, mana!!!
Parabéns!

E os votos de Natal e Ano Novo eu dou no dia ou na véspera via orcute.

Beijo, bom fim de ano-estressante-e-empata-foda.


Avatar julianavieira

Julianavieira On 22/12/2007

ain querida....no estado de total leseira q me encontro, eu não consigo ler...maaassss pqp sua chiquetosa! ehehehehehe

beiju grande


Avatar ju_fazzenaro

Ju_fazzenaro On 22/12/2007

Muito bom!
Parabéns!!!

e o cerrado é lindo demais!

bjo enorme.

:=)


Avatar rytharocha

Rytharocha On 22/12/2007

Ai, fresca!
hahaha

Cadê você, hein?! Precisamos falaaaaaaaaaar!


Beeijo!




fabisomel

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