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Labirinto do Fabão

fabiobarbanti's photo from 7/5/07
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7/5/07
Fugindo do Inferno
(The Great Escape, EUA, 1963)

Direção: John Sturges
Com: Steve McQueen, James Garner, Richard Attenborough, James Donald, Charles Bronson, Donald Pleasance, James Coburn.

Poucas imagens me marcaram tanto como a de Steve McQueen jogando sua bola de baseball na parede de sua solitária no campo de concentração alemão onde está confinado. Seu apelido, “Cooler King” (cooler é o termo utilizado para definir a solitária), já demonstra que ele é um assíduo freqüentador do estabelecimento. Mas sua mente continua ativa e a rotina que criou o ajuda a passar o tempo e a manter sua concentração em constante estado de alerta. Logo ao chegar no campo, ele já elabora um improvável plano para fugir. Quando fracassa, é pressionado pela hierarquia alemã a confessar e, ao ser confrontado com o número de tentativas de fuga de seu currículo, ele faz questão de acrescentar sua mais recente.

Fugindo do Inferno faz parte de uma época em que o cinema não tinha nenhuma prepotência de tentar retratar a realidade. Ao contrário de O Resgate do Soldado Ryan e outras produções recentes sobre a 2ª Guerra Mundial, a regra aqui é glamorizar ao máximo esse período negro da história moderna. “A tarefa de todo oficial britânico é tentar fugir, e do alemão de tentar nos impedir”, já proclama o personagem de Richard Attenborough (que mais tarde se transformaria em diretor de filmes consagrados como Ghandi e Um Grito de Liberdade) para o comandante do campo no começo do filme. Somente o mais confiante dos seres humanos admitiria isso para seu captor sem medo de represália.

É exatamente aí que reside todo o charme de Fugindo do Inferno. Seus personagens são tão convincentes e tão seguros de suas ações que é quase impossível não simpatizar com os mesmos. Steve McQueen transmite uma frieza sobre-humana enquanto James Garner destila todo o seu cinismo. Já os oficiais britânicos não perdem a fleuma nem no mais hostil dos ambientes. É claro que eles contam com a ingenuidade dos soldados alemães, que chegam ao extremo da ignorância ao colocar os maiores especialistas de cada área em um mesmo lugar. E pensar que eles quase ganharam a guerra. Mas, como já foi dito, a intenção não é ser realista e sim glamoroso.

Fugindo do Inferno é, basicamente, um filme de golpe. Só que em vez de um assalto, o objetivo final é uma fuga. Para atingir esse objetivo, vale utilizar todas as mais elaboradas artimanhas. Se o problema é se livrar da terra retirada durante as escavações, um dispositivo é criado para solucionar o caso. Se falta madeira para escorar os túneis, tirem a mesma das camas e móveis de cada alojamento. Se há escassez de tecido para manufaturar as roupas usadas pelos fugitivos em território alemão, dá-se um jeito. Como? Não perguntem... A competência desses soldados para planejar uma fuga só é equiparada pela sua capacidade para ser recapturado posteriormente, uma vez que essa não é a primeira tentativa de nenhum deles. De qualquer maneira, a forma como o roteiro prende a atenção durante essa primeira metade é fascinante e até engraçada, fazendo com que o espectador chegue a lamentar quando se aproxima a hora da fuga.

A partir daí, é cada fugitivo por si, e os alemães contra todos. A segunda metade do filme se concentra no caminho percorrido por cada prisioneiro depois da grande escapada. Alguns pegam o trem, munido de documentos falsos e um fluente domínio da língua estrangeira. Outros preferem caminhos mais furtivos. Independente do trajeto escolhido, Fugindo do Inferno narra de forma envolvente o destino de cada um.

Apesar de todo esse glamour que compõe o enredo de Fugindo do Inferno, sempre há espaço para o desenvolvimento de dramas mais humanos. Donald Pleasance, por exemplo, que interpreta o falsificador, passa a perceber que, ironicamente, está perdendo a visão, despertando compaixão de seu companheiro de quarto. Já Charles Bronson, que participou da escavação de inúmeros túneis, sofre de claustrofobia e precisa lutar diariamente contra esse medo para poder sonhar com a liberdade. Em uma determinada noite, ele ameaça fugir de uma forma mais convencional e só é impedido pelo amigo que o convence a se aventurar pelo túnel.

Mas a mais bela cena é a da confraternização dos prisioneiros durante o feriado de independência americana. Apesar da maioria britânica (apenas três deles são americanos), que poderia se ofender em celebrar uma data que marca uma derrota histórica de sua nação, aquele era um momento de descanso para todos. Colonizadores e colonizados se unem para comemorar algo maior. Comemorar o fato de estarem vivos, o anseio pela liberdade, a luta por um objetivo em comum. Inimigos do passado se tornam aliados no presente, assim como o inverso também é verdade (americanos e russos). No meio de tanto horror e tanta devastação, ainda existe um resquício de humanidade. E é a ela que eles brindam.

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