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Tempo para descobertas
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Tempo para descobertas

5/24/09
Primeiro filme baseado na obra de Stephen King, Carrie revelou um monte de coisas pra mim. Por muito tempo a imagem de uma menina bonita cheia de sangue com uma casa em chamas atrás, me aterrorizou. Mais pelo que eu presenciei estar acontecendo com a minha mãe - que morria de medo e gritava o tempo todo - do que pela imagem em si.

Disse "aterrorizou" mas na verdade me "fascinou". Me fez grudar os olhos e salvá-la (a imagem e o filme) na memória. Depois de ver o filme pela primeira vez na TV, tentei sozinho no quarto por algumas vezes - confesso que ainda hoje tento mas com menos frequência - mover objetos e fechar janelas com, a força do pensamento. Nem preciso dizer que nunca consegui nada. Nem Oui-ja aquele jogo em que um copo se move com os dedos indicadores dos que fazem as perguntas rolou. Uma vez sim, mas depois meu amigo André confessou que "deu um gás" para pararmos logo com aquilo que ele estava com medo.

Ontem revi em casa. Sissy Spacek, o IMDb me contou, estava com masi de 25 anos no ano de lançamento do filme. Ela era mais velha que, por exemplo, Amy Irving, Nancy Allen e John Travolta que a atormentam no filme. Mas o que se vê na tela é mesmo alguém que se soprepõe diante das personalidades e personagens que passeiam pelo filme.

O sorriso, o medo, a timidez, o carinho, a segura imposição de sua vontade de ir ao baile na cena com sua mãe e até o estado de possessão, de descontrole, para então virar o mundo de pernas pro ar (e o carro que a mataria), tudo está num lugar verdadeiro. Sissy Spacek dá um show pra quem topar entrar no filme e acompanhar a cabeça de Carrie durante este pequeno tempo.

As meninas "descoladas" do vestiário descortinam uma Carrie solitária que está prestes a menstruar no banho. A cena é muito boa. Carrie se desespera e pede ajuda (a foto acima dá só uma palinha do estado em que a moça chega). E então sabemos um pouco mais sobre ela nessa hora.

Neste filme, como até hoje, atores e atrizes de mais de 20 anos, fazem adolescentes de 13 e 14. Mas uma das coisas que me parece claro (embora não tenha assistido a muitos filmes adolescentes nos ultimos anos), é que os adolescentes da década de 70 eram mais legais. Pintou um sussurro da minha consciência agora lembrando que Heath Ledger fez um adolescente aos 20 anos em 10 coisa que eu odeio em você, mas enfim, fica a sensação mesmo que ela seja injusta. Porque é só sensação mesmo. Com o tempo novos "adolescentes" crescem também na arte de fazer filmes.

Li esta semana que há uma citação (numa caneca do Jorge Furtado feita a mão por ele) que diz: "Nunca Real, Sempre Verdadeiro" ou algo perto disso. To com a sensação (olha ela aí de novo) que é de um poeta francês, mas não vou procurar isso agora. Trouxe a citação ao texto porque o filme é verdadeiro à beça. Amy Irving (linda e muita bem no filme também) com Nancy Allen e John Travolta compõem bem o quadro de curiosidades para rever o filme.

E claro, quem gosta de Stephen King ou de Brian de Palma, não se decepcionará.

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