5/14/05
matéria de hoje no ´Hoje em Dia´
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Atriz e iluminação se destacam na peça
Miguel Anunciação
CRÍTICO/ESPETÁCULOS
Entre outras atividades no teatro, Orlando Orube tem sido um semeador da dramaturgia argentina em Minas. Antes de “Jurado", nova montagem da Cia do Palco, ele já traduzido e dirigido “La Fiaca", de Ricardo Telesnik, e traduziu também “A Idade da Ameixa", de Aristides Vargas, a aposta mais recente da Cangaral (de “Um Espírito Baixou em Mim").
Thriller sobre desconhecido que conduz ex-detento até uma oficina, sob promessa de uma colocação, “Jurado" foi escrito por Pedro Perinelli, que recém-visitou Belo Horizonte. O enredo desenvolve um drama tenso, perturbador, sobre ocorrências difíceis de digerir (estupro, pedofilia, homicídio), de desfecho controvertido - melhor não revelar qual para não matar a intenção de suspense.
Parece discordante o que pretendeu o autor e o diretor. Segundo Perinelli, o desfecho quer dizer que julgamentos sumários só podem levar ao horror; já a montagem pode levar o público a desejar a vingança, a condenar sem o intermédio das leis em vigor. É um convite perigoso, de efeitos devastadores.
Outro caminho tomado pela direção, colocar os três atores em cena praticamente o tempo inteiro, é bem boa. O personagem de Letícia Castilho circula como sombra, como um elemento sugestivo na montagem mineira, quando no texto deveria aparecer só no final. Uma decisão corajosa e bem-sucedida.
É outro belíssimo trabalho de Letícia (de “Amor e Restos Humanos"), atriz de muitos recursos, uma presença impressionante. Trabalho merecedor de prêmios. A iluminação de Pedro Pederneiras é outro ponto altíssimo do espetáculo, pois sempre empresta categoria à cena. É outro forte candidato desta temporada. Mais um talento de peso que chega à área, todo ano fatiada entre Telma Fernandes, Leonardo Pavanello e a dupla Wladimir/Alexandre.
A cenografia (de João Diniz e Orube) prioriza abrir espaços para a movimentação dos personagens, integrando os atores à platéia. As forração das poltronas, a disposição de algumas delas no palco são elementos interessantes, diferenciadores, criam atmosfera. Como o fato de um ator receber os espectadores e apontar onde eles deverão sentar.
Escolhidos pelo núcleo de montagem, os figurinos estão corretos, exceto o vestido do personagem da mãe, talvez excessivo no brilho, na solenidade. Poderia ser trocado ou revisto. Além do caminho controverso tomado pela direção, é preciso rever movimentações: uma cadeira encobre a visão de um dos atores durante um tempo longo e o hiato entre a atitude drástica do final e o apagar das luzes talvez esteja longo. É anticlímax intuir o que vai acontecer.
O tempo que dura a encenação, pouco mais de uma hora, parece justo. E o choque físico dos atores está convincente, realista como a trama. Inclusive por isso, seria bom cuidar melhor das vezes em que a porta se fecha, descuidadas na estréia. Certamente, é preciso equilibrar mais o jogo entre Leri Faria e Adyr Assumpção, que retorna ao palco atuando corretamente.
Autor da trilha notável de “A Farsa da Boa Preguiça", premiada, Leri carece nuançar mais as reações do ex-detento que interpreta. Mesmo que ele seja um tipo agressivo, de maus-bofes, é necessário experimentar, exibir outras emoções (desconfiança, medo, malícia, arrogância, alegrias), sob pena de abusar as atenções do público, farto do seu modo padrão de manifestar-se.
"Jurado" - Nova montagem da Cia do Palco. Cartaz de quinta a domingo, no Teatro Sesi/Holcim. Mais informações no Programe-se.
Eu queria muito ter visto "Amor e Restos Humanos", mas era pequena, e meu tio levou a minha vó p/ ver! Justo a minha vó tão religiosa, mas ela aguentou firme até o final! Lembro-me que ela chegou em casa num silêncio.. não falou nada, mas acho que no seu íntimo muitas coisas rolaram.
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.Priscila.