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Fala desespero, sobre o mistério dos anjos:
- Quando sua cantoria se torna uma constante palpável no meio dos rumores, um grande perigo ronda. Anjos são como alertas. As portas do paraíso estão cerradas para todo o sempre. A função angelical é fazer-nos entender que temos de buscar paraísos aqui mesmo, na terra fecunda. Quando se manifestam como acrobatas pelo ar, indicam que estamos nos distanciando daquilo que nos dará nosso milagre particular. Não tenho outra explicação harmoniosa por hora. Porque os ouvi, e meu coração está perdido, ondulando dolorosamente em meio a vinganças que deveriam ser concedidas a outros corações. Só há outra suposição que poderia destituir a verdade desta constatação: a de que existem seres sentenciados a apenas ouvirem milagres, como são as vozes dos serafins, mas que não podem participar dos mesmos. Toda vingança estaria justificada, desta forma. E a idéia do paraíso celestial estaria salva, bem como a benção dos alados.
Movendo-se de encontro ao móvel empoeirado, despe a puída capa negra, aninhando-a junto aos pés feridos. Suspende um pequeno esqueleto calcário, aproximando-o do tímpano. Para ouvir, mais uma vez, a sentença. Em acordes milagrosos de madrepérola.
E deixa a cena.
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Deixa a cena.
E espera o próximo ato.