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* perdi a conta de quantas vezes já bati nessa porta. ela sempre abriu. nunca tem ninguém do outro lado pra impedir que isso aconteça. nem lembro de todas as vezes. mas da primeira a gente nunca esqeuce. é provavelmente a única que não foge da lembrança. eu quis desaparecer e, dentre todas e tantas outras vezes em que eu estive lá, nenhuma nunca superou a primeira. não dói mais em mim. ou dói pouco. já me doeu bem mais passar fome de verdade e roubar comida no supermercado pra ter o que almoçar por dois ou três dias. mas isso passa. as coisas passam. mas o inferno é a repetição e quando me pego preso no retorno já nem sei mais se eu queria mesmo estar lá ou se passei pra dar um oi pra velhos sentimentos conhecidos que nunca recolhem a mão ao cumprimento. quando a gente escolhe o impulso no lugar do cérebro, acaba sempre batendo na mesma tecla. "tu vai ser assim pra sempre?" - perguntou. eu fiquei em silêncio. não soube como responder que esse sou eu. cada pedacinho de merda desse ser sou eu. me devo algum respeito afinal, apesar de não me respeitar muito. "toda dor repousa na vontade" dizia a música. mas acredite: ser o motivo da dor alheia é indeterminavelmente mais triste do que ser o motivo da própria dor. e eu já caguei muita coisa na minha vida curta. são dias tristes esses. mas eu não quero mais ser triste. já cheguei lá e ninguém estava lá comigo. uma tristeza que conseguia acabar até com a minha vontade de levantar da cama pela manhã. também, não interessava a ninguém. e toda vez que eu sinto essa tristeza tomando conta novamente, se apossando aos poucos de cada farelo de pensamento, eu corro pra longe. pra onde der. pra onde for. e vão dizer que é pra enfrentar e o diabo. e já fui e já venci e não estou interessado em ceder a forra. mas agora não quero ficar alheio. não espero nem mesmo perdão por mais desventura. de perdão e promessa a gente tá cheio. não quero isso. mas eu não quero deixar ninguém ir onde eu fui. e fico na divisão. no meio termo entre a insensibilidade e a covardia. entre o que eu devia fazer e o que eu posso, de fato, fazer. causar dor em quem se ama é uma das piores coisas possíveis.

* a outra é apontar o dedo.




On December 24 2011 24 Views



Avatar seeall

Seeall On 18/03/2012

lembrei da época que eu passava por aqui e ficava positiva.


Avatar seguirosol

Seguirosol On 25/12/2011

Gostei da foto .-.
Poxa melhoras ai :/
Feliz natal:*




dxoxdx

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