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have a Nietzsche day :D

oir
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oir

12/10/08
Paraísos artificiais

Sinto falta das pessoas. Não sei se isso é resultado de uma infância baseada nas tradições rurais, onde as pessoas eram unidas e fraternas e as crianças eram criadas juntas, brincando. Só sei que sinto falta daquele tempo e das pessoas que me rodeavam. Pensando melhor, não sei se sinto falta das pessoas ou se me cansei de ficar sozinho. Não sei se quero um amigo ou uma companhia, uma pessoa pra conversar ou apenas uma conversa.
Na realidade, pessoas me irritam. As suas moralidades moldadas pelo medo me irritam, os seus preconceitos me irritam, as suas depressões me irritam, as suas felicidades me irritam. Elas não conseguem ser simples pessoas movidas por seus instintos. Precisam ser o que os outros querem que elas sejam e precisam mostrar suas conquistas; precisam mostrar, umas as outras, que são melhores. Essa exposição de valores regida pela moral e pela ambição faz pessoas como eu serem sozinhas. Pode-se dizer que ouvimos uma orquestra com músicos afinados que não consegue reproduzir uma melodia que nos encante. Ainda assim existem aqueles que dançam a valsa, exibindo-se para os que, supostamente, não conseguem ouvir a mesma melodia.
As únicas pessoas que não me irritam são as crianças. Elas são capazes de expressar seus instintos, pois não possuem uma moral formada pelos valores sociais. Uma criança, quando dá um beijo no seu colega de sala, está expressando o seu sentimento, a sua real vontade. Isso me traz uma boa sensação. Uma sensação de pureza, ou algo assim, que não me considero mais capaz de ter sozinho. É como se uma dose de nostalgia fosse injetava em minhas veias, me transportando para aquela infância que eu idealizo. Acho que odeio as pessoas com restrições.
Crises de meia idade são realmente ridículas! Quer coisa mais clichê do que um homem de 37 anos sentado em um banco de uma praça, em uma segunda-feira de céu nublado, exteriorizando seus pensamentos sobre sua vida medíocre? Sou louco o suficiente para não me adequar aos padrões, covarde demais pra me arriscar seguindo os meus padrões e extremamente só. Eu não sei exatamente o que quero, mas eu quero alguma coisa para me apegar, para dar algum sentido na minha existência. Quero a quintessência da maturidade com a nostalgia da infância e o ápice da juventude. Eu quero deixar de ser o que sou.

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