Perdido.
Algum tempo se passou. Muito mais tempo do que eu tenha consciência ou que eu saiba falar. Poderia chutar alguns meses, transformá-los em dias e fazer uma conta rápida para apresentar as horas em que me afastei - tudo com o único objetivo de chocar a todos, inclusive a mim. Mas a grande verdade é que algum tempo se passou e, para mim, essa definição basta.
Em determinado momento, após este 'algum tempo', no entanto, é que foi possível perceber. Olhando-me no espelho perguntei para o reflexo estranho que me encara: quem é você?
Gostaria de saber em qual momento eu me perdi, mas eu não sei. Em que minuto eu deixei de lado minhas características especiais ou o meu sorriso sincero? Quando deixei de brincar para me tornar algo que nem ao menos seu descrever?
O pior e mais intolerável: quando foi que deixei as máscaras tamparem o meu rosto e nunca mais as tirei?
É fácil viver intensamente quando estamos em um comercial de televisão. Difícil é fazer ele seguir sem um script, diretores ou pessoas que coordenam tudo para você.
De certa forma, confesso, é reconfortante não precisar se mostrar, se expôr. Não assumir as responsabilidades por aquilo que você realmente é. Viver à margem da vida é fácil. É cômodo. Por qual razão, então, iria querer trazer os problemas, deixar a tristeza entrar em minha vida e se instalar? Abrir o coração para vê-lo quebrado em mil pedaços - tão pequenos que será impossível colar ele novamente.
O mundo não para quando você deixa de viver - ou quando escolhe deixar que os outros vivam por você. O céu continuará azul e as luzes acessas. A cidade não perderá o sono de pensar em você, nem ao menos se lembrarão se sumir por mais de uma semana sequer.
A vida é um turbilhão de sentimentos misturados em um liquidificador. A nossa escolha fica entre se jogar nela, sem medo de ser feliz ou então ficar a espera e deixar os dias passarem.
21 estações parecem muita coisa para mim. Ninguém disse que o fardo seria suportável, mas não há motivos para acreditar que ele seja inquebrável, inviolável, insuportável.
Provavelmente esse seja o destino: viver perdido até o dia em que me encontrar novamente, aí sim os dias passaram a ter sentido e, de uma vez por todas, conseguirei afirmar a quanto tempo uma felicidade aglomera o meu peito. Até lá, só nos resta continuar a procurar o caminho, o reencontro, a vida.
On January 14 2012
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