É verdade, pisei num despacho. Mas não hoje. Nem ontem. Pisei num despacho em tempos imemoriais. Um despacho feito por mim mesmo, no qual eu mesmo pisei.
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“Quem vem ao mundo é para sofrer
uns fogem da vida mas eu quero viver
quem não sabe sofrer
não tem amor a Deus
carrego a minha cruz
Deus me ensinou
A suportar os sofrimentos meus
Assim irei até o fim
Feliz neste mundo quem pensa assim
Sou pobre mas sou rico
De bondade que Deus me deu
Deus não me esqueceu”
Nelson Cavaquinho
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Despacho? Cruz? Karma? Complexos freudianos? Inclinação natural?
Chame como quiser. Os nomes dizem muito pouco das coisas; dizem mais de quem as diz. A forma como é nomeada tal ou tal coisa explica apenas categorias gerais. Vez em quando nem isso. Mas mostram a visão que o interlocutor tem daquilo. E todo diálogo se transforma em uma armadilha.
O aparato linguístico se apresenta então como algo pronto, que dá pouca liberdade para que se pense de forma diferente. Não, não "pensar" exatamente, mas exprimir. Não sei como funciona o processo linguagem / pensamento; sei apenas que estamos todos presos.
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"Não sei como funciona o processo linguagem / pensamento; sei apenas que estamos todos presos. "
Ele se dá por relação entre elementos. Ou seja, estamos sempre presos.