2/2/07
foto: A MESA NO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO, À QUAL ME REFIRO NO TEXTO
Princípio do fim.
Este é meu último mês por aqui. Em Santiago, menos que isso... É chegada a hora de atar duas pontas andando nestas ruas tão antigas,
um dos grandes marcos da história do Cristianismo. ..
Por isso, aproveitei o lindo sol de inverno, raro por aqui e saí toda encapotada, com Os Maias na bolsa e uma lista dos museus da cidade que eu ainda não visitei.
Eu, que já tenho a capacidade de abstração um tanto aguçada, presa na cripta de uma catedral romana, rodeada de pedras de mais de mil anos... Bem, qualquer dia desses estou tendo visões por aqui ( Uma vez fui num curso de parapsicologia que dizia que os espíritos são leituras das ondas físicas não sei das quantas que as pessoas deixam nos lugares por onde passam). Complicações parapsicológicas a parte, os museus da Catedral são imensos e ali se vê a evolução da arte humana durante séculos, em tornos de uma mesmo tema. Escultura e pintura em parede desde o século VII, de anônimos, até a arte de tapices do singular e muito louco Goya, sobre o qual aprendo um pouquinho no meu curso de cultura espanhola.
Depois de ver o tesouro da Catedral - que é inimaginavemente cheio de prata, esmeraldas e rubis. MAS INIMAGINAVELMENTE MESMO - , decidi encher meu espírito de um pouco da pobreza franciscana... Claro que eu me frustei. O Convento fundado pelo santo pelo qual fiquei encantada, ao 12 anos, depois de ver "Irmão Sol, Irmão Lua" hoje é um hotel de luxo. Eu não sabia se podia entrar assim no lugar e ficar metendo o bedelho pelos corredores silensciosos. Mas aí eu fui entrando, fui entrando, e... Acabei lembrando da Pousada do Convento, em Cachoeira - versão sem infiltrações. Apesar do convento santiaguês ser bem mais antigo, ele foi ampliado e reformulado ao longo dos anos pelo franciscanos...
Andando, tudo só ficava cada vez mais vazio. Um silêncio de... mosteiro. E eu com meus devaneios e desdobramentos, dei com uma mesa posta na varanda que rodeava um pátio central. A mesa estava posta e ouvi os primeiros burburinhos de gente naquele hotel-mosteiro lindo com cara de abandonado. Eu fiquei parada, olhando o pátio, a mesa e uma janela branca combinando com tudo... Sou apaixonada pelo que é humano...
No final da tarde, que no Brasil já seria início de noite, fui tomar um café no luxuoso e real Hostal de los Reyes Católicos. Tomando um café preto, puro, para economizar e curtir o lugar ao mesmo tempo. Foi quando Sabela me ligou e fomos tomar outro café, na zona velha, falando de Salvador. É ela a menina que vai de intercâmbio para o Brasil e teve a infelicidade de escolher passagem para a terça-feira de Carnaval.
Ainda dá tempo de ela ir para o Arrastão da quarta-feira... (rs)
Estou notando um refinamento do seu humor no seus textos. Sempre senti fata disso neles.
Abraços.