.verter.
11/16/09
.(a). não basta.
.(b). mas devia bastar.
.(a). não devia não. é pouco. se quer mais clareza: menos do que insuficiente. entendeu agora?.
.(b). não há nada além disso.
.(a). então deixa pra lá. esquece. logo mais tudo será passado e sem gosto e sem nada além de um reles suspiro diante do mar.
.(b). só agora tu me diz? sabias que esse seria meu último lance e me diz agora pra esquecer? não dá pra pôr torniquete nisso que fiz brotar só pra ti.
.(a). fez brotar porque quis. trouxe aqui sem eu pedir. por acaso te pedi?
.(b). não. não pediu.
.(a). tá vendo? quer que eu sinta pena? acho que tu merece coisa melhor que isso.
.(b). não suportaria tua pena. não se trata disso.
.(a). então o que é agora? sempre tem alguma coisa. nunca acaba essa história? pensei que seria mais simples. tudo basta quando termina. quando será que tu vais entender?.
.(b). eu sei. não estou pedindo nada.
.(a). então o que é? será que preciso dizer como tudo isso me incomoda? preciso dizer que é como comida sem fome como pedaço de sal no doce como calma gritante?.
.(b). já entendi. não precisa dizer mais nada.
.(a). vou dizer é exatamente isso: nada. nada adianta. não traga mais nada. nada vai acontecer.
.(b). vai acontecer sim uma coisa.
.(a). o quê?.
.(b). esse coração aqui vai morrer.
goiabada com queijo!