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Ciclo Vicioso

Sempre achei, apesar de comum, estranho esses preconceitos literários infundados. São autores nunca lidos, capas mal interpretadas, títulos infelizes, temas desconhecidos e até recomendações mal enunciadas que nos fazem criticar e até ignorar determinados livros. Mas como saber sem o ler? Uns gostam, outros não, é a lógica do verbo gostar.

Para mim há sempre aquele receio de tentar, tentar e desistir. É como o abandono de alguém, alguém que fala por si, que tem alma, opiniões e objetivo. Parar um livro no meio acho ainda pior que não lê-lo, é um descaso, um desrespeito. Sendo assim, o que é preferível: não gostar sem ler, ou desgostar antes do fim? Acho que sempre optei pela precaução, na dúvida: não. E o “não” inclui inclusive a introdução, tudo que está da capa para dentro. Não tem essa de experimentar, ou vai, ou fica, não gosto de meios termos.

Também sou daquelas que com certeza lê o mesmo livro mais de uma vez. Sim, eu sei a história e o “Grand Final”, talvez seja por isso mesmo. Não há mais surpresas. Às vezes, novas interpretações, mas é rápido, simples e seguro. Consigo me entregar da forma que eu quero, no tempo que eu quero, não ha descontrole. É bom saber o que me espera na próxima página, o que não impede em nada a entrega, o coração acelerado, a falta temporária e até mesmo o esquecimento do mundo. Certos livros costumo até dizer que são minhas fugas da realidade, meus destinos fantasiosos que estarão sempre ali, ou quase sempre, à espera de exploração . E isso é bom, não ? Se eu mesma trato-o como um alguém, pense ! O quão bom não é a sensação de ter alguém ali pronto, na certeza do gosto e do desapego ?

Para ser sincera, acho que ultimamente tenho tido medo desses novos livros, dessas novas experiências, das bipolaridades do verbo gostar. Talvez isso seja fruto do tempo. Quando eu gosto de um livro, me apego, procuro, pesquiso, me informo, carrego comigo, releio e releio até que o vício vai passando, o amor, o fogo, a disposição vai dando lugar ao cansaço, até o fim carinhoso de um abandono numa prateleira qualquer. Eu sempre me lembrarei daquela história, e por mais que eu queira, não esquecerei, estará de alguma forma gravada em mim, faz parte.

A transição é ainda outro problema. Fico tanto tempo numa única coisa que perco a vontade do novo. É quase como um Ciclo Vicioso de duas hipoteses : leio, gosto e canso ; repito um outro livro ou tenho novidades ; leio, gosto e canso. Não é difícil de compreender, só eu não entendo. Acho que sempre tento inovar e me perco no ciclo, me perco na transparência de um labirinto sem saídas. Me perco em mim, nas paginás e nos braços daquele alguém.


Brunna Gabriela
29/04/2011





On May 01 2011 3 Views




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