7/13/09
Ela sempre quis o melhor pra si, antes para ela que para ele. Sempre soube que para amar alguém, deve amar-se primeiro.
Ele sempre quis o melhor pra ela, mesmo querendo fazer dela um clone dele.
Mesmo tão distantes, estavam juntos há quase sete anos, sabe-se lá o porquê dessa união sem sentido.
"A gente pensa que escolhe
Se a gente não sabe inventa”
Será que realmente sentia algo? Tinha apenas a certeza que um dia sentiu, não sabe decifrar se foi apenas curiosidade por alguém tão diferente dela ou apenas atração de adolescência...
"O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor"
Mas ela preferiu seguir adiante, não deixar o impulso falar mais alto - como sempre o fizera - e decidiu se apaixonar, talvez por culpa.
"Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela e então eu me vi"
O tempo passa correndo, e ela esqueceu a essência do amor. Ele continuava o mesmo de sempre, rígido, pedra, sentindo o banal. Esquecendo o essencial.
"Se eu acordo preocupado com as
Providências como uma conta no banco
Que eu não tenho dinheiro pra pagar
Isso me aflige e atrapalha
Faz com que eu não me de conta
De outras coisas
Que eu deveria cuidar"
Mesmo sendo tão banal - o que doía muito nela -, ele pensava - [nos poucos momentos de reflexão] - na angústia que é ter se tornado assim, e queria ter/ser um pouco ela...
"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios [...]
Estranho é gostar tanto do seu all star azul"
Mas a razão o perseguia, e ela sempre angustiada com o que vivia decidiu respirar. Queria perder a voz, queria esquecer o passado cheio de besteira e erros,não o amava mais, queria vomitá-lo de vez de sua vida, não queria transformar-se nele, enquanto gritava a plenos pulmões num show:
"Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar me adaptar
Não vou!"
Sentiu uma grande energia finalmente, mas que não vinha de nenhum lugar vinha de dentro dela, e ao mesmo tempo sentiu pena, por ter perdido tanto tempo, e por fazê-lo perder o que nunca ganhou: ela própria.
"Quando aconteceu? Não sei.
Quando foi que eu deixei de te amar?
Quando a luz do poste não acendeu
Quando a sorte não mais soube ganhar
Não.
Foi ontem que eu disse não”.
Há tempos dizia não, mas não admitia. Então se decidiu ali, sozinha em meio à multidão bêbada e enlouquecida que não iria fazer isso com sua própria vida, não iria apenas sobreviver...
"Eu não quero mais mentir
Usar espinhos
Que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno
Que me atraiu
Dos cegos do castelo
Me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, um lugar
Pro que eu sou..."
E sentiu um alivio quando percebeu que se transformou em outra...
"Não sei se o mundo é bom
Mas ele está melhor
desde que você chegou
E explicou
O mundo pra mim"
Ela sentia, e entre momentos de reflexão e empurrões de um show, que o impossível há de acontecer, e estava nascendo o fim daquilo que nunca tinha realmente começado ...
"Há sempre
A pequena chance
De o impossível rolar"
Sabia não! Tinha certeza de que o fim para ela tinha chegado junto, de mãos dadas com o futuro... Já para ele... Bem, ela já não se importava tanto com ele, já tinha sofrido em ser o que ela nunca foi.
"É bom olhar pra frente, é bom e nunca é igual
Olhar, beijar e ouvir, cantar um novo dia nascendo
É bom e é tão diferente
Eu não vou chorar você não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver"
E desde daquela noite, sentiu que a vida mudara, a partir do último bis, a vida dava uma guinada, tudo seria diferente, não teve medo de errar novamente, não teve coragem de atravessar a vida a passeio, queria mais era sentir a plenitude de um amor, sabia que iria correr lágrimas em seu rosto, mas seriam doces, pois estava desfazendo um grande nó, e estaria de braços abertos para o amor.
"Por que aqui o mundo não será cão [...]
E agora vivendo em paz [...]
Ela sabia que o mundo era bão"
Show de Nando Reis 31.10.08
"Ela X Ele Na Cidade Sem Fim"