começa
cabeça a mil, fervilhando assuntos
saudades da mãe
da que tive e da que posso vir a ser
das que posso vir a ter
vontade de contar pra todo mundo que somos todos o mesmo serzinho solitário
que há tanto que dividimos
que havemos de dividir tanto
o silêncio que não quer falar
o silêncio por todos almejado
começa
Helena parte pra zooropa e deixa a chave
pois há plantas a regar
pois há amizade a regar sempre, com carinho
Hela parte com suas pittadas
um pedaço de meu espelho
um pedaço de meu anseio de conhecer o mundo que não só o que inundo
começa
que há amigos e família
que nunca vemos
há eu e um nós deliciosamente inesperado
um espumante pondo palavras em minha boca
a identificação com Clarices e Lucias, e tudo o que há de luz e claridades e ices e ismos
redundâncias e circularidades e ciclos
eu me vendo em todos, com tudo e contudo
contundo
como Sônia de Nelson com seus fragmentos de si boiando por toda parte
começa
que quero lançar minha garrafa com carta infinita
pedido de resgate de passado e de futuro
no naufrágio do presente
quero lançar minha garrafa tão mais longe que nem imagino
que nem me imagino
lançar a garrafa pra pescar tudo
de fora pra dentro
de dentro pra fora
num emaranhado como o de meus cabelos
do incidental
do transcender
pra acender e ascender
dedinhos nervosos
lembrando Hela,
lembrando Ela
lembrando Ella, in my solitude
e lembrando o piano de Sônia
pois o plano permanece intacto:
juntar os cacos,
descobrir o elementar, meu caro Watson
quem sou, quem são quem sou, se sou são
não
vou parar quando
parar
de pairar
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thanks!!
happy weekend