A noite é dele.
As palavras inocentes da loura do bar eram comoventes. Como um simples blues, ela só chorava a alegria alheia, a alegria do rapaz do ponto vermelho na lapela.
Eu nunca mais dei notícia, nem tive. Só sumi de lá e fiquei sabendo de tudo por fora. Estava cansado daquela vida e para sair dela precisava sair de perto dele. Não suportava mais acabar com a cabeça arrebentada e acordando em algum lugar que não sabia onde.
"Ele ria, e ria, e ria, e quando seu nome apareceu na conversa foi que ele entristeceu, afogou as mágoas em alguns copos de vodka e foi pra casa como se a noite tivesse acabado lá."
Foi o que ela disse.
Sinto muito, meu amigo, sua parceria foi muito importante, mas eu sinceramente não aguento mais caçar bandidos e não conseguir pegá-los... Não todos. Eu chego até a pensar que eu poderia me enveredar pela bandidagem. Não acho que vá realmente acontecer, mas quem sabe? Cansei de lutar contra algo que não conheço.
O ódio passou, a angústia, todo aquele mesclado de sentimentos que me enlouquecia mais que os narcóticos apreendidos de outrora tinha virado uma grande massa de nada, que era muito difícil de engolir. E agora tudo tinha passado, o ódio, a paixão...
Foi naquele dia, curiosamente ensolarado, em que tudo aconteceu diferente. Não havia mais a dama de amarelo, a de verde, nada... Só existia eu e meu vômito sentimental. Apareceram aqueles pontos brilhantes como esmeraldas e um panejo rubro incandescente, acompanhada de um rapaz alto que a abandonou.
"Não existiu mais o vômito,
o sentimento contido
Agora eu tinha entendido
Era mulher de bandido
Me disse algum desconhecido... é.
E eu não tinha entendido.
Droga! Nem bem faz sentido."
Quando dei por mim, como sempre, estava montado naquela grande motocicleta que me conduzia a qualquer lugar onde não existia mais a possibilidade, e o único risco era o de acabar a gasolina, com uma dama digna em minha garupa e o melhor sentimento de liberadade de todos.
Deixe que a vida cuide dos bandidos, deixe que a vida cuide de mim. Porque eu agora vou deixar você cuidar de si e vou morrer por aí.
Um abraço, seu eterno e então parceiro, Mostarda. Nem sempre, José Longochipre, el matador mexicano.
On June 19 2008
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