Bastaria vagar pela cidade Para ver a angústia em cada face E por mais que os olhos eu fechasse Sentiria o cheiro da carniça Que o dedo maior da mão postiça Semeou pelas praças, pelos becos Quem chorava já tem os olhos secos De esperar o fantasma da justiça
Eu não li o epílogo da peça Mas pressinto no jeito dos atores O começo do fim desses horrores A maldade que na razão tropeça E o ciclo da história já tem pressa Pra bater o martelo contra a mesa E cantar voz bem alta a natureza Pra esse sol exilado que regressa...
Bastaria vagar pela cidade
Para ver a angústia em cada face
E por mais que os olhos eu fechasse
Sentiria o cheiro da carniça
Que o dedo maior da mão postiça
Semeou pelas praças, pelos becos
Quem chorava já tem os olhos secos
De esperar o fantasma da justiça
Eu não li o epílogo da peça
Mas pressinto no jeito dos atores
O começo do fim desses horrores
A maldade que na razão tropeça
E o ciclo da história já tem pressa
Pra bater o martelo contra a mesa
E cantar voz bem alta a natureza
Pra esse sol exilado que regressa...