Ou "Tarantino Por Quem Não Paga Pau Pra Tarantino"Tarantino é um cara divertido. Assim como você assistia
Chaves sabendo que em algum momento o Seu Madruga levaria uma pancada da Dona Florinda sonorizada com o barulho de um sino, você assiste um filme do Quentin Tarantino sabendo que em algum momento vai aparecer um matador de óculos escuros e jeito descolado - que inevitavelmente morrerá ao custo de muito ketchup. Tarantino é tipo
Chaves. Mas com piadas melhores.
Tarantino é um cara genial. Não genial no sentido a que se remetia Kant quando falava do gênio como "o talento que dá à arte a regra". Até porque o mesmo Kant falava que "o gênio deve ser inteiramente oposto ao espírito de imitação", e boa parte das vezes em que se paga pau pra Tarantino é justamente pelo modo como ele concatena imitações de regras, seja como homenagem, seja como paródia. Tarantino é genial no sentido contemporâneo, muito mais condenscendente por força do Paradigma da Terra de Cego, em que, na falta de coisa melhor, o gênio é um talento que não produz duas horas de uma completa perda de tempo.
Voltando ao filme: aí imagina que um dia você assiste ao Chaves e o Seu Madruga não apanha. Então, esse filme do Tarantino é tipo isso. Mas as frentes da tietagem tarantiniana não tem também do que reclamar, já que o filme tem o resto todo: quase todo o elenco morre daqueles modos improváveis, ninguém é herói, diálogos engraçadinhos em horas tensas, aquela coisa toda, pra provocar a sensação agradável de familiaridade entre o filme, o espectador e a expectativa - a mesma familiaridade cantada no tema da saudosa série
Cheers:
"You wanna be where you can see / Troubles are all the same / You wanna be where everybody knows your name". Tarantino é tipo
Cheers. Mas com uma trilha sonora melhor.
Como sempre, o espectador ganha a cada morte uma breve aula de Anatomia. Mas por outro lado, que ninguém vá assistir ao filme, que tem a Segunda Grande Guerra como pano de fundo, catando um traço, por breve que seja, de uma aula de História. Tarantino não é historiador. Mas pelo tema escolhido, pelo desfecho do filme, Tarantino conseguiu algo que nenhum tribunal de guerra ou livro de História conseguiria da mesma maneira: provocar o curioso e catártico sentimento de reparação no casalzinho de judeus sentado na fileira de trás.
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A Título de Democracia:
Resenha Paga-Pau:
http://omundopolemicodapaco.blogspot.com/2009/10/mazel-tov-tarantino.htmlResenha com uma curiosa abordagem:
http://coisasdediva.wordpress.com/2009/10/14/inglorious-basterds/
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