Fantasmas
1/26/09
Os fantasmas rasgaram as fímbrias no tic-tac dos/despertadores.../Bem feito! São tão antiquados que ainda usam/ fímbrias.../Oh! esses despertadores são gatos metálicos/Que rasgam as fímbrias das almas./Das almas dos vivos e mortos.../Para eles é tudo sucata/Frágil, corosca/De barbante - coisa ótima/Para afiar os dentes eternos do Instante! A espaços,/No silêncio das casas,/Quebrando o monótono tiquetaquear do tempo,/A tosse asmática do refrigerador/Ou o fundo suspiro/(De quem?)/Que se some no ralo misterioso da pia.../Enquanto isto, nas paredes das salas,/Os velhos retratos aproveitam o escuro para/ amarelecerem/Um pouco mais/Até que chegue o dia lúcido/E seja tudo, apenas, doido sonho noturno/Que o teu sorriso.../Que o teu sorriso de criança apaga! (Mário Quintana)