a sorrir e cortar
10/18/09
Sua voz pictórica deixa um arranhado rastejando feito doce melancolia pelas curvas do corpo, descem lentas gotas arranhando o que um dia chamei de amor. Sua voz iconográfica te resume em três palavras, rapaz mal-dito da minha esquina. Te resume assim. Indo pelas ruas, pelas esquinas, dobrando a infância, a caminho de casa, num fim de mais um ontem, antes que se fure o centro do teu destino. Outra vez. Toda vez. Toda vez que teu olhar é percebido, pressentido (desconfiando esperança), quando é lambido na retina, penetrando (lá no fundo, coração, rasga dentro), que a minha vida é vagabunda como a tua. As gotas explodem no corpo ecos da voz ligeiramente profana te resume pouca. Te resume assim. Como se palavras pudessem destruir coisas belas. Ou palavras até resgatassem detalhes de um mundo cruel. Eu te desvendo aqui, maldizendo minha poesia, hoje mulher. Ou quase.
-bia-