9/3/09
“A lua chama o pescador ainda cedo
Como se a noite pudesse deixar de ser noite
Como se o espelho d`água não implicasse um rosto
A lua chama um pescador e eu me atrevo
Saio acordado em plena madrugada
O meu destino é certo como é a brisa
Vou visitar antigas namoradas
embriagado pela calmaria
Talvez houvesse no seu rosto de fada
a preamar de algum amor esquecido
Mas em meu peito algum antigo piano percute
sílabas de silêncio
E atrevo, atrevo ao desnudar as nuvens que choram
o chora manso de quem ama o futuro
Oferecendo a ti meu colo cansado
Oferecendo a ti meu barco maduro ou incessante
a deslizar na lagoa
Feito criança na banheira de sonhos lanço o anzol
A lua treme e vacila
Por um instante meu demônio cochila”
foto: ric voivodic/ Lua em Moçambique