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O Ballet:O ballet L'après-midi d'un faune (ou The Afternoon of a Faun) foi coreografado por Vaslav Nijinsky para o Ballets Russes, e apresentado pela primeira vez no Théâtre du Châtelet em Paris em 29 de Maio de 1912. O próprio Nijinsky dançou o papel principal.
Como partitura, é utilizada a obra Prélude à l'après-midi d'un faune de Claude Debussy. Tamto a musica como o ballet foram inspirados pelo poema L'après-midi d'un faune de Stéphane Mallarmé.
A Coreografia:O estilo do ballet, no qual um jovem fauno encontra várias ninfas, flerta com elas e as persegue, era deliberadamente arcaico. Na cenografia original desenhada por Léon Bakst os bailarinos eram apresentados como parte de um grande tableau, uma montagem remanescente de uma pintura de um antigo vaso grego. Eles frequentemente se moviam pelo palco de perfil. O ballet foi apresentado descalço e rejeitou o formalismo clássico. O trabalho tinha uma natureza sexual abertamente explorada para sua época e terminava uma cena que simulava uma masturbação.
Lydia Sokolova, a primeira bailarina inglesa no Ballets Russes, deu a seguinte descrição da performance de Nijinsky:
‘Nijinsky como o fauno era emocionante. Apesar de seus movimentos serem absolutamente contidos, eram viris e poderosos e a maneira na qual ele acariciava e carregava o véu da ninfa era tão animal que alguém poderia esperar vê-lo correndo pela colida com o objeto em sua boca. Havia um momento inesquecivel logo antes de seu final amoroso, na descida deslizante sobre a echarpe quando ele ajoelhava em uma perna no topo da montanha; com a outra perna esticada atrás de seu corpo. De repente ele jogou sua cabeça para trás, abriu sua boca e soltou um riso silencioso. Foi uma atuação soberba.’
L'Après-midi d'un Faune é considerado um dos primeiros ballets modernos e provou ser tão controverso como as obras de Nijinsky, Jeux (1913) e Le Sacre du Printemps (1913).
O Escândalo:Foi especialmente o gesto final masturbatório da coreografia que causou o escândalo que seguiu a primeira performance. No jornal Le Figaro, o editor Gaston Calmette escreveu: ‘Nós tivemos um fauno, incontinente, com vis movimentos de erótica bestialidade e gestos de forte falta de vergonha.’ Para ele, a dança de Nijinsky era ‘a fortemente expressiva pantomima do corpo de uma besta doente, hedionda, de frente, e mais hedionda ainda de perfil’, e seu jornal começou uma campanha contra o ballet. Em resposta, o escultor Auguste Rodin publicou uma defesa da coreografia e numa carta ao Le Figaro o pintor Odilon Redon expressou o desejo que seu amigo Mallarmé pudesse ter visto ‘esta maravilhosa evocação de seu pensamento’.
A Reconstrução:Devido a sua hostil recepção o ballet ficou no repertorio somente por uns poucos anos antes de seu esquecido e presumido como perdido. No final dos anos 1980 as especialistas em 'dance notation’ Ann Hutchinson Guest e Claudia Jeschke reconstruiram o ballet a partir dos cadernos do próprio Nijinsky, suas anotações de as fotografias dos bailarinos que foram feitas por Baron Adolf de Meyer logo após a primeira performance. Esta versão reconstruida é comumente apresentada com outros trabalhos de Nijinsky ou do repertorio do Ballets Russes."
Na foto:
Beatrice Knop, na versão reconstruida, na gala do Berlin StaatsBallett em homenagem aos Cem Anos do Ballet Russes, comemorados este ano
http://www.fotolog.com/we_love_darcey
que linda ela está nesta foto!!! pois é... Nijinsky foi mesmo polêmico para os padrões da época... vanguarda do seu tempo...
bisous