Avatar bailefunk

Eu, Regina e Hermano.

Hermano fez o primeiro livro sobre funk no Brasil. titulo MUNDO FUNK CARIOCA. em 1988, depois todos começaram a comentar e fazer matéria sobre os bailes, foi ele tb q me deu a primeira bateria eletronica e deu inicio a esse massacre, pois quando fez isso o seu professos, Gilberto velho, disse q ele estava interferindo no movimento, como se tivesse dando um rifle a um chefe indigena.

ele escreveu um texto pra um revista do ministério da cultura, segue abaixo o texto na integra.

COMENTEM SOBRE O TEXTO.

Em 2002, participei de um ciclo de debates promovido pela Unesco. Meu
painel era intitulado "A Favela e o Asfalto: Cultura, Poder e Movimento
Social". Na minha fala fiz um breve resumo da história do funk carioca. Não
havia para mim nada mais empolgante na nova cultura das favelas do Rio de
Janeiro, interferindo decisivamente na sua relação com o tal "asfalto".

O funk não tinha ainda conquistado a popularidade que hoje ganhou nos
clubes paulistanos ou entre músicos "antenados" do exterior. Mesmo assim
foi surpresa ouvir, depois das minhas palavras, a reação da platéia,
formada por gente que participa ativamente de movimentos sociais contra a
injustiça social no Brasil. Um diretor de rádio comunitária foi categórico:
essa música é proibida na minha programação. Uma professora de escola
pública disse que educa seus alunos para não escutar funk. E assim por
diante. O que acontecia ali era, na minha opinião, muito claro: o funk
estava sendo excluído pelos grupos que pretendiam combater a exclusão. O
funk era o excluído do excluído.

Eu não deveria ter ficado tão surpreso com esse tipo de reação. Ela fazia
total sentido dentro de uma linha antiga de combate contra o funk, combate
protagonizado por grupos de todos os matizes ideológicos, da extrema
direita à extrema esquerda, mesmo aquela que se diz popular, ou pró-cultura
popular (que como sabemos não é exatamente aquela que o povo gosta, mas sim
a que o povo deveria gostar, vide os manuais do CPC). O ataque contínuo
isolou o funk cada vez mais para dentro das favelas, para o apoio - quem
mais poderia dar apoio, já que todas as outras "forças" eram contra? - dos
movimentos armados dos traficantes.

Foi literalmente isto: o poder público, a mídia e os entendidos em cultura
popular fizeram todo o possível para entregar o ouro (o ouro cultural
produzido nas favelas) para o bandido. Quando eu fiz minha pesquisa de
campo nos bailes funk, que resultou na minha dissertação de mestrado e no
livro O Mundo Funk Carioca (Jorge Zahar Editor, 1988), as festas eram
realizadas em clubes como o CCIP de Pilares, o Cassino Bangu ou o Canto do
Rio. A música, quando começou a ser produzida na cidade, era totalmente
independente dos "comandos". Poderia ter continuado assim, se o poder
público (com polícia também armada, algumas vezes dando tiros nos
equipamentos) não tivesse fechado os bailes dos clubes, se os críticos
musicais e gravadoras não tivessem amaldiçoado o estilo (fortalecendo a
pirataria), se o asfalto, por puro preconceito contra "som de pretos e
pobres", não tivesse tentado destruir a cultura que os favelados estavam
criando por eles mesmos.

O funk muitas vezes pediu socorro. Ninguém ouviu os discursos do DJ
Marlboro, mesmo em reuniões dentro da Secretaria de Segurança Pública (eu
estava com ele, na maioria dessas ocasiões), pedindo apenas que o funk
fosse considerado cultura e não problema policial. Se o poder público
tivesse escutado suas palavras, o funk carioca poderia ser hoje a música da
paz na cidade. Teria força para isso: afinal, os bailes que tocavam 100% de
música importada em 1988 agora não tocam 100% de música nacional? Como
ninguém percebeu a força que essa música tinha, e tem cada vez mais?

Agora todo mundo se espanta com a existência dos proibidões? Quanta
hipocrisia! É a colheita do que foi plantado. Responsáveis: policiais,
políticos, jornalistas (quanta matéria mentirosa sobre os bailes!),
campanhas desgovernadas contra o que a elite diz que é "baixaria".

Mas ainda bem que o funk é mais forte que isso tudo. O proibidão é a banda
podre de uma cultura vigorosa e que poderia ser totalmente do bem e da festa.

E o que hoje não tem sua banda pobre? A banda podre deve ser combatida. Mas
dizer que todo o funk está podre - tentando exterminá-lo - é uma
imbecilidade sem tamanho. É criar cada vez mais proibidões, ou o território
propício para a criação de muito mais proibidões. Se todo mundo apoiar o
lado bacana do funk - com medidas simples como dar segurança para os bailes
(a polícia em vez de fechá-los bem que poderia protegê-los) - essa música
ainda poderá ajudar a tirar o Rio desses tempos negros que estamos vivendo,
tornando-se uma das maiores fontes de orgulho carioca, a cara da alegria de
toda a cidade.





On January 26 2006 52 Views



Avatar luistar

Luistar On 14/10/2007

texto muito bom. o rap tem uma história parecida. sou do df e sei muito da história do rap de sp que é bastante forte aqui. tipo, o funk é outra vertente mas eu respeito e gosto. embora seja mais do rap e do rock. muito foda de ruim esse lance de ser excluído do excluído. vou procurar o livro que você citou ae acima. abraço e vai na fé! é nois!


Avatar dani__saraivinha

Dani__saraivinha On 12/04/2006

ei me add ai vai pq eu amo funk!!!galeraaa de recife b0jus!!


Avatar maryzudinha_

Maryzudinha_ On 27/01/2006

Oi.. me add aii..amo vcx;0~~


Avatar varetinha

Varetinha On 26/01/2006

mandou bem!!!gostei do texto!!a arma da exclusão é o preconceito!!


Avatar _ian

_ian On 26/01/2006

showwwwwwww!!!


Avatar galolindo

Galolindo On 26/01/2006

pow tava demorando pra atuliza hem..hhehehe ai qd volta pra floripa?ta vinmdo o carnaval ai.. =X[]s!





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