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Vou abrir o jogo com você: sou completamente incompreensível. Não sei se alguém consegue entender o que isso significa (se você sabe, por favor, me diga agora ou cale-se para sempre). O que eu sei é que não entendo. O chão muitas vezes me foge. Os ombros, também. Me sinto só de vez em quando, uma solidão boa, uma solidão boba. Uma solidão ruim? Também, porque tudo às vezes machuca. Consigo aceitar isso muito bem, então eu sigo com meu coração entre os dedos e alguma solidão debaixo do braço, só para me fazer companhia nos momentos em que preciso de uma palavra amiga.

Finalmente descobri que anos de divã não irão resolver meus problemas. É tanta coisa em mim que nada é suficiente. Frase estranha, eu sei, mas é. Desculpa, mas é. A gente sempre sabe o que incomoda, onde o calo aperta. Vezenquando, bem sei, é preferível (comodidade?!?) fechar os olhos, deixar o barco correr sem força alguma. Mas é preciso, para viver, algumas doses fortes de coragem, ousadia, falta de pudor. Tem dias que parece que tudo faz sentido, em outros tantos parece que engasgo, fico perdida, não sei bem como lidar com o mundo, as pessoas, os acontecimentos, as verdades, as ilusões, os contratempos, as confusões. E fica uma coisa que não desce, como se fosse uma espinha de peixe entalada na garganta, que dá uma tosse seca e que não para, não para, não para.

Já tentei me entender, é claro que sim. Mas vivo me surpreendendo (posso?) comigo. Muitas vezes, penso que não vou suportar, e suporto. Em outras situações, penso que vou conseguir, mas minhas pernas falham e caio no chão. Me desafio, diariamente. Até onde você chega? Vamos lá, mostra para mim quem é você, até onde você é capaz de seguir em frente. E me supero, de um jeito ou de outro, na marra e na garra, diariamente.

(Clarissa Correa)




On April 14 2010 3 Views






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