Eu conheço um rapaz... na verdade ele é um menininho inseguro e traumatizado. Até ai, tudo bem, quem não se sente inseguro hoje em dia, nem que seja de vez em quando? Mas este rapaz em particular é um caso sério... muito sério. Ele anda cansado de uma vida que não teve e tem essa mania estranha de invalidar qualquer coisa que lhe falam; por que na cabeça dele você precisa ter 50 anos pra que suas experiência valham alguma coisa. Em outras palavras ele não consegue – não aprendeu a – absorver nada de suas próprias experiências então não entende que os outros podem ter vidas mais coerentes e autênticas por que aprenderam com os próprios erros. Mas então, eu sou obrigado a falar novamente da insegurança do rapaz, que, pra se sentir melhor em relação si mesmo, nivela o mundo por baixo e tem essa dificuldade imensa em conviver com pessoas que não digam o que ele quer ouvir ou pensem como ele acha que devam pensar.
Ainda falando sobre insegurança... vê-se nas entrelinhas que eis o rapaz: sua identidade virtual é dissimulada e ele se diverte enquanto fingi que a pessoa pro trás dos teclados tem habilidade social e desenvoltura natural. Que sabe falar sem gaguejar, sem articular um longo e sonoro “Ahnnnn...” antes da maioria das sentenças. Pobre rapaz, vive a maior parte do tempo como uma projeção de si mesmo e pensa – convictamente – que a ausência de autenticidade é um mérito e não um defeito. Ele odeia nomes, mensagens diretas, e objetividade, gosta mesmo é da engrenagem, do jogo e da dissimulação segura no jogo do “Não foi isso que eu disse...” sempre uma saída confortável para pessoas que tem medo de enfrentamentos – de modo geral. É, eu sei, insegurança é um tema recorrente quando estamos tratando deste rapaz. Cabe aqui dizer também que nosso velho amigo complexo culpa-violência também se aplica ao nosso rapaz, por que ele adora a histeria, o mal humor e a má educação, faz uso destes predicados e não percebe que o futuro é um só... amargo, amargo, amargo. Como num caso clássico, ele tem problemas em aceitar que é amargo.
Este rapaz, ah!, este rapaz... ele esta crescendo pra se tornar uma daquelas pessoas chatas que são o que fazem, sabe? Uma daquelas pessoas que falhou vertiginosamente em ter uma personalidade autêntica e se contentou com a opção: ser o resulto do único valor que lhe dão: o que ela faz pra ganhar dinheiro... e ai, olha só que ironia, quanto mais o tempo passa mais esse rapaz precisa se afirmar na imagem que projeta de si mesmo por que perdeu o referencial de quem ele é de verdade; então ele lida com os problemas que pensa que tem sendo a pessoa que ele gosta de pensar que é. Isso tem um nome forte: fraude, mas que lhe cabe; o rapaz é uma fraude.
E por falar em fraude... da pra arriscar dizer também, do alto de quem já viu muita água passar em baixo da ponte, que – obviamente – ele é um clichê que anda, respira e ocupa um lugar no mundo.
Para as palavras finais eu guardei um comentário, uma advertência e um aviso. Comentário: Sabe, apesar de parecer o contrário, eu acho que o rapaz pode fazer algo por si mesmo, acontece que às vezes as pessoas se encontram em um estado de apatia e precisam de um tapa na cara pra acordar. Advertência: Você precisa de um novo livro favorito (eu recomendo – As Correções, do Jonathan Franzen) e de ler novamente o livro que “mudou” sua vida, você perdeu algumas partes importantes... da moral da estória. Isso ou vice-versa. Aviso: depois da crise histérica, onde você vai me odiar mais, me acusar mais e se sentir “mais uma vez” provocado. Então, depois que isso passar, permita-se ler isso aqui novamente, pode ser instrutivo.
É Brasil. Pessoalmente eu espero que o comentário, a advertência e principalmente o aviso surtam efeito.
Mas eu sou suspeito para falar da pessoa em questão, apesar de ter uma esperancinha lá no fundo que um dia tudo corra bem.
Eu me vejo como a terceira: vestido cobre tudo e o povo paga a mais para levantar.