7/18/07
Luto de três dias!
Por pessoas que a gente nem conhece, mas de uma tragédia já anunciada. Não assim, não hoje, não sem nos trazer o choque, mas de certa forma, já prevista. Quase esperada.
Não quero aqui parecer cruel. Aliás, muito pelo contrário, os sentimentos mais presentes são medo, indignação, dor. E por uma gente que a gente nem conhece...
As tragédias têm disso, a identificação, o pesar quase unânime, a sensação, cada dia mais real, de que podia tão facilmente ter acontecido com você, ou comigo, ou com alguém que eu conheço, alguém da minha família.
Só que o descaso é tão grande que o choque tende a durar pouco. Logo a vida nos atropela, outro escândalo ou tragédia acontece e, tirando quem realmente foi vítima, direta ou indireta, deste fato tão revoltante, a vida segue, continua, como tem mesmo que ser, mas passamos por cima de nossas sensações e a dor vira estatística, número, imagem velha.
Mas no meio de tanta tristeza, nossos próprios dramas parecem ficar tão pequenos. Crises, dúvidas, incertezas, essas tão comuns, capazes de maltratar tão cruelmente os mortais pós-Freud. Até a noção do inconsciente parece imprópria para momentos de luto. Até o Pan e nossos atletas e medalhas. Até os questionamentos que duraram um dia todo - para não dizer uma semana toda ou um mês.
Só espero que as mesmas “autoridades” que até bem pouco tempo desconheciam a existência de um caos aéreo não tentem nos convencer de que tragédia também não é tragédia!
E que voar volte a ser uma opção e não a total falta dela.
Foto: Chapada Diamantina. Um pouco de representação física da fé - e do consolo - que a família das vítimas do acidente de hoje da TAM vão precisar.
Obs.: retorno (talvez) a este fotolog. Pelo menos até eu achar um fotolog mais “democrático”, me acostumar com esse diário virtual ou o Fotolog entender como é estúpida a idéia de só aceitar comentários de quem tem um fotolog.
Fiz um fotolog só para comentar o seu texto que está muito bom,
Primeiro pela foto que é realmente uma foto ela não é somente a inscrição do instante, mas passa algo mais.
O texto é muito bom, tratar de um assunto desta importância requer ótima redação e coragem, e quando você mostrou como às vezes somos ínfimos em nossas mazelas em relação a acontecimentos muito maiores, relembra a nossa existência malograda e talvez a foto mostre um pouco do que nos resta como consolo vil a dura realidade.