Pedro Einloft 23 einloft(at)gmail(dot)com <A HREF="http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15669457450628026578" TARGET=_top>http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15669457450628026578</A>
As pessoas costumam encarar o conceito do imprevisível com um misto de excitação e medo. A incerteza do que está por vir, embora agonizante, constitui muitas vezes um sentido, uma razão para movimentar-se - lutar contra a inércia do conformismo e aceitação passiva - sendo os erros e acertos provindos destas movimentações grande parte da fôrma que molda o caráter; dá direção à postura de um homem frente a futuras vicissitudes que este enfrentará ao longo de sua existência, independente do âmbito em questão.
Entretanto, nada é absoluto.
A incerteza neste momento não me parece nada atraente; e a excitação - lado luminoso da imprevisibilidade e a ela tipicamente ligada - não mais existe em mim; foi integralmente sobrepujada pelo medo - maldita penumbra. A escuridão resultante desta sobreposição paralisa qualquer homem, que independente de sua vontade, mantém-se estático e recolhido, com a companhia de seus próprios demônios e lamentos. O tempo, esta entidade esquizofrênica - aliado ou rival? - "convenientemente" diminui sua velocidade, assumindo para si a responsabilidade de atar nós cada vez mais complexos em minhas idéias e ilusões.
Minha Califórnia afundou.
Tudo aquilo que acreditava ser uma base de sustentação sólida o bastante para suportar o peso irreal de meus sonhos simplesmente sublimou-se em uma velocidade estúpida, deixando-me à mercê da gravidade; eu e todos meus arranha-céus estruturados de sonhos e construídos de desejos, símbolos de uma possibilidade de existência repleta de sorrisos e chocolates; carícias e passeios pela orla; águas de côco e silêncios cúmplices, devidamente acompanhados por análises minuciosas de retinas e íris.
A vida torna-se extremamente cruel sem algo que lhe dê sentido.