E ai Galera!
Domingo terminamos a música "O Triunfo é Vermelho". Ela faz parte do novo CD que lançaremos (provavelmente começaremos gravar ainda esse ano. O Cd ainda não tem um nome definido).
Essa letra relata um trecho de uma sociedade "fictícia", baseada na escassez do povo africano e nordestino do sertão brasileiro, que vivem sobre as rédias do poder e omissos pelo medo. É legal dizer também que o livro do George Orwell, 1984, o documentário Zeitgeist e alguns textos do Schopenhauer, mexeram muito com a gente quando estavamos criando a música.
É uma letra forte com palavras duras e de um ponto de vista "cru", sem maquiagem. O instrumental segue a mesma linha, sem piedade, criando um ambiente baseado nas palavras.
O Triunfo é vermelho.(Ader Moreira)
Carcaças vivas são depósitos de desesperança.
Os abrigos não trazem segurança.
A falha custa o viver.
Amanhece. Um grito ensurdecente impõe-se:
— Façam por sua nação!
Sem muito que alcançar, peregrinam.
Sobrevivem com o mínimo.
Valores invertidos.
Não há vitória sem sangue. O Triunfo é vermelho.
Seus sonhos e esperança foram mutilados.
O pânico é nato. Conhecimento escasso.
A tortura gera incompetência: o cérebro não filtra mais.
Animais indefesos, tão longe de, outra vez, serem humanos.
Sem trégua. Não conhecem o repouso.
Não há a quem reclamar. Não há misericórdia.
Seus opressores se escondem atrás de uma máscara de migalhas,
que alugam a honra por hora.
O Sofrimento contínuo torna-se estético.
Em meio à multidão, surge um resto humano nu.
Sendo Arrastado. Esfacelado.
Seu povo adestrado grita uníssono:
— Enforque-o! Enforque-o! Enforque-o!
No chão, sobra um rastro de dor,
que serve de exemplo para aqueles tentaram defrontar.
A guerra não acabará, pois não é para ser vencida.
Ela mantém pulsante a idéia: todos serão livres.
Abração,
Ader
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