AMOR
12/5/07
O ser busca o outro ser, e ao conhece-lo
Acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
Que à vida imprime cor, graça e sentido.
*
“Amor” – eu disse – e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim.
(Carlos Drummond de Andrade; “Amar se Aprende Amando”)
Oooh, l'amour!
Então, vim colocar a cara a tapa pq tenho um caso sério pra debater e um pedido a fazer.
Desde meados de 2006 ando enlouquecendo com nobres senhores na cabeceira da minha cama (sendo mais precisa, mas não exclusivamente: Bauman, Stendhal, Barthes e Bachelard) digerindo o que este "povinho" tem a dizer sobre o assunto. Além dessa galera, tem uma tchurminha da literatura que aparece na hora do recreio pra zonear ainda mais o coreto. Estamos no plano das idéias ainda, mas a prática vai exigir que eu construa um amor reproduzível em série e de distribuição gratuita - ou pelo menos, esta é uma primeira idéia do que desejo. O importante é não estar a venda e estar totalmente disponível a quem quiser o seu pedaço neste latifundio.
Não sei exatamente como chegar a evocar a manifestação do público, o que seria este objeto do desejo: "amor" que traz em si a forma-figura de algo compreendido e almejado por todos. Qual o "ideal" de amor que será o meu foco? Vivemos uma época em que os últimos românticos viraram heróis. Tudo é efêmero e o tal do amor virou lágrimas nas salas de cinema e terminam em mesas de bar ou numa boate esfumacenta. Geralmente, o amor acorda de ressaca nos finais de semana e passa o dia inteiro entre copos d'água, comprimidos para dor de cabeça e monitores azulados num quarto a meia luz. Apesar disso, raramente encontramos alguém que não deite a cabeça à noite e por um momento qualquer não sonhe com este ideal de parceria amorosa. Meio cafona, né? ... Mas foi assim que o querido Bauman profetizou-me ao pé do ouvido a condição de se estar aqui:
"Não se pode aprender a amar, tal como não se pode aprender a morrer (...) chegando o momento, o amor e a morte atacarão - mas não se tem a mínima idéia de quando isso acontece."
Enfim, não temos escapatória: Amar e morrer são as duas únicas certezas.
Passei este ultimo ano discutindo bastante o assunto e a pergunta que não quer calar: "Onde é que estou me metendo?"
Agora estou partindo em busca de referências visuais (ou não) e a maior parte delas vêem das manifestações sobre o meu trabalho pessoal. Sempre tem alguém que me diz: "já viu isso? é a cara do teu trabalho?", ou "leia fulano!"; "assista beltrano!"... e, confesso: é tão bom quando isso acontece. É o feedback que preciso pra que a criança comece a crescer. Tá mais que na hora deste projeto sair do período de gestação. Mas... ta faltando você entrar nesta história. É preciso enxergar o "em torno" pra tentar conquistar. Ou seja, se o assunto te interessa e acabou lembrando de uma história que aconteceu "com o amigo do amigo", leu um livro, assistiu um filme, observou que "a sua irmã" escuta mesma música 10 vezes seguidas, tem umas resmas de cartas amorosas dando sopa numa gaveta... links no consagrado google, vídeos no amigo youtube, blogs, flogs, rabiscos em toalha de papel de boteco, correio do amor de festa junina, fotos... vale tudo. Por favor, entre em contato comigo pelo e-mail:
oooh.lamour@gmail.com
Em outras palavras: to te querendo!
Mas a idéia não é sair impondo as pessoas o "meu amor". O bom é que eu simplesmente o disponibilize e se você se identificar e desejar: pegue! O "amor" é seu e o prazer será todo nosso. Pra isso, preciso estar atenta às referências que me são fornecidas. Enfim, é basicamente isso...
Agradeço demais você ter sobrevivido até o final da carta e aguardo o contato.
1 beijo,
Aline
((-_-))
Fala – Secos & Molhados
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