Fotolog
11/12/09
Texto que publiquei no meu blog em 28/07/09.
Ainda tem sua validade...
Há poucos minutos resolvi rever meu fotolog, que há tempos está abandonado mas que já foi muito atualizado. Não precisei olhar muitos dos meus posts pra notar o quanto eu mudei, o quanto as mudanças foram significantes.
Hoje percebo que os fatos marcantes que ocasionaram toda a minha fossa lá registrada não são grande coisa, são bobagens na verdade.
Mas quando se é uma menina, (e apesar de não ter 15 anos eu era sim bem menina) quando se tem uma visão ingênua e limitada das pessoas, quando se é boba a ponto de acreditar em amor romântico eterno, o que eu vivi é sim razão pra uma grande e longa depressão.
Apesar de não parecer, a minha durou bastante, e quando apareciam fotos sorridentes e histórias engraçadas, eu estava mais uma vez me iludindo. Na verdade fiz o que a maioria das pessoas na minha situação já fez, mas eu realmente gostaria de não ter mergulhado de cabeça nessa filosofia de suprir a minha solidão com tanta futilidade.
Enfim, precisei disso também para me reconhecer hoje como uma pessoa melhor.
Percebi também que eu alimentei uma ansiedade gigante, tentei substituir um amor por outro na marra, e isso também não funcionou. A minha sorte foi neste processo ter convivido com alguém bacana que acabou me ajudando a crescer mais um pouco. Felizmente muitas boas pessoas apareceram na minha vida, algumas até pela rotina que tinham na época, não fazia sentido algum que mantivessem por mim qualquer tipo de apreço, mas elas estiveram ali, demonstraram apoio nas mensagens que escreviam no meu fotolog e eu percebi que na vida real elas realmente gostavam de mim. Infelizmente não fui capaz de manter próximos de mim todos eles, e de alguns eu sinto muito falta, uma dessas pessoas foi o meu maior psiquiatra e terapeuta na época... (tenho um longo post pra fazer sobre ela, mas fica pra outro dia!).
Alguns se aproximaram pela curiosidade mórbida mesmo, sei disso também, mas é normal do ser humano, então eu não me importo. Em alguns momentos no fotolog, eu tinha lapsos de sabedoria fantásticos. Parecia um best seller de auto ajuda. Impressionante.
E aí notamos como falar/escrever é mamão com açúcar.
Super fácil dizer que não existia mágoa ou rancor, o que era verdadeira balela.
Uma mágoa ainda carrego, mas se Deus quiser eu supero ela de forma definitiva, até porque não depende de mim fazer com que outras pessoas acertem, eu mal consigo acertar sozinha, vou empurrar os outros?
Ao mesmo tempo, um perdão que concedi foi falso. Na época do meu fotolog acreditava ter perdoado uma pessoa, mas hoje eu sei que aquilo foi pura vaidade de ouvir alguém me pedindo para ser perdoado. O que existe em relação a essa pessoa hoje é um sentimento pior que o ódio, é a pena. Mas uma pena relativa, poque eu sei que o caráter e as ações de cada um determinam o nosso carma (aqui ou em outra vida). Não posso negar que existe um dilema neste fato, pois ao mesmo tempo em que sinto desprezo, sou imensamente grata pela interferência dessa mesma pessoa na minha vida. Não fosse sua falha de caráter, não estaria eu agora fazendo esta auto análise, satisfeita com minha atual percepção dos fatos.
Rever meu fotolog fez perceber também que me afastei de muita gente, que apesar de ter retomado alguns contatos, as pessoas também mudaram e por isso o afastamento persiste.
Mas nada disso reduz o eterno carinho que tenho por um grupo seleto de amigos.
Eu certamente, durante todo o tempo que mantive meus desabafos pelo fotolog, não consegui resolver todas as minhas "pendências internas", ainda carrego algumas frustrações pessoais, decepções e medos que são só meus, e por alguns deles ainda vou pagar o preço devido... até porque, por favor, né, to muito longe de ser uma santinha que faz tudo certo.
Mas assim como o Earl, espero que o carma me recompense pelas minhas boas ações, diminuindo um pouco a punição das más. (Outra vez, assunto para outro post.)
Talvez rever meu fotolog neste preciso momento tenha sua validade no simples reconhecimento de que sempre temos escolhas. Não me orgulho de algumas das minhas, mas não tenho opção exceto aceitá-las e tomar o devido cuidado para não repeti-las. E valeu relembrar o meu aprendizado de que cada momento deve ser verdadeiramente vivido, sem a ansiedade com que eu encarava tudo há tempos.Felizmente essa lição eu já coloco em prática há um bom tempo.
Enfim, num momento como esse eu fico satisfeita por ter mantido meu fotolog, e por poder resgatar esses pensamentos da época.
E não, eu continuo não me importanto com a exposição. Escrever o que penso não é me importar com que outros vão pensar disso.