4/21/06
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confunde-se. olhe esta pedra. olhe aquela. amanhã, olhe ambas. e tente lembrar qual foi a primeira. ou olhe pássaros. ou lesmas. ou caracóis. o homem já percebeu. e já fez narrativas. já foi caçador. e já montou um todo através das partes. das ínfimas partes esquecidas no caminho. um cheiro, uma pegada, uma pluma, uma bolota de pêlos ou afins. como o pintor desenha e deixa sua identidade como digital em cabeleiras, ou vestidos esvoaçantes, ou unhas, ou lóbulos das orelhas. assim como o escritor, em manuscritos, se expõe na caligrafia, nas conjunções, nas interligações das idéias, na forma como tece e não apenas no conteúdo. os olhos de hoje são epilépticos. e saltam de uma forma a outra. acostumaram-se a confundir. e são treinados à rostos humanos. e aprenderam a amar [ou apaixonar/atrair, como acredito caber melhor à questão]. "Amar é a superestimação das diferenças marginais entre um homem e outro, ou entre uma mulher e outra". e os olhos prendem-se às cores e formas: vícios sinestésicos. as palavras são meras imitações. não passam de nomes, de vãs tentativas [assim, para os olhos epilépticos]. "O texto é uma entidade profunda invisível, a ser reconstruída para além dos dados sensíveis". leia o texto. e não o olhe. o sinta. e não o espere. o pincele. e terás o teu quadro. só teu. com teu emaranhado de cabelos e teus tecidos ao vento. será tua identidade. tua interpretação.
por Alessandra Gorayeb Martins.
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::duas frases entre aspas:mitos emblemas e sinais.
::foto:julho2005.salinas.caracol.areia.sal.
*bjs*
mt bom alessandra gorayeb
acho esses textos meio bizarros com tantos pontos
mas nem assim deixam de ser legais
=]
;*