Para sempre ou não, amar vale a pena!

Aceitar as perdas e respeitar as histórias que vivemos
são aprendizados fundamentais na difícil e prazerosa arte de amar – que tem altos e baixos, sim; riso e choro; tristeza e euforia.
Mas, valendo-me do crédito de ser uma pessoa que entende, e muito, da rima amor e dor, posso garantir:
se entregar ao amor sempre vale a pena
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“Quem quer viver o amor,
mas não quer suas marcas,
qualquer cicatriz.
A ilusão do amor não é risco na areia,
desenho de giz.
Eu sei que vocês vão dizer,
a questão é querer, desejar, decidir.
Aí, diz o meu coração,
que prazer tem bater se ela não vai ouvir.
Aí, minha boca me diz,
que prazer tem sorrir se ela não me sorrir também.
Quem pode querer ser feliz se não for por amor?”
Na primeira parte da música “Desenho de Giz”, podemos observar que o cantor e compositor João Bosco questiona os infinitos artifícios que usamos para fugir do medo de uma relação verdadeira, deixando claro que quem se esconde do amor perde as maiores emoções que a vida nos oferece. Esse medo, na verdade, não é nada moderno. Existe há milênios, desde que o homem percebeu sua incompletude, sua condenação ao amor e aos riscos da perda.
Branca de Neve, A Bela Adormecida e todas as princesas que povoaram nosso imaginário infantil, por exemplo, sofreram muito até encontrar o verdadeiro amor. Enfrentaram feiticeiras, maçãs envenenadas, madrastas malvadas e resistiram, como puderam, ao ciúme, à inveja e à raiva dos inimigos. Sobreviveram à dor de inúmeros desafetos até chegarem aos heróis de seus sonhos.
Mas a salvação, descobriram, estava numa receita infalível: bastava juntar aos seus famosos temores um pouco de coragem. Depois era só misturar muito bem até que desprendesse dessa liga um elemento moral: a covardia. Pronto: estava lá a poção mágica com a qual podiam alcançar a tão sonhada terra da felicidade.
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Porém, para ganhar o reino encantado,
elas passaram pela mais difícil de todas as provas:
a de vencer os seus medos.
Das matas, dos dragões, do abandono
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Essas fábulas não surgiram por acaso. Fazem parte do inconsciente coletivo e traduzem, de certa maneira, a sabedoria popular. Até o século 17 eram contadas tanto para adultos quanto para crianças. Alguns temas, segundo os estudiosos, remontam a milênios antes de Cristo. Mas o que importa mesmo é perceber que o homem moderno, aparentemente tão avesso ao faz-de-conta, acabou por inventar uma crença bem mais inverossímil que a das fadas: a de que é possível ser feliz sem enfrentar o medo e a dor.
Onipotente, instituiu também que as florestas, os espinhos e as lutas existenciais deviam ser banidos de seu reino. Para isso, criou armas poderosas como muros altos, culto ao individualismo, indiferença e até remédios que prometem a sensação de bem-estar. Mas, na tentativa de congelar as emoções e preservar-se da dor, esse homem, sem saber, deu força ao mais maligno de todos os sentimentos: o medo do amor. E aí começa a nossa história.
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O que agrava nossa situação
em relação a de nossos antepassados
é, em muitos casos,
a convivência pacífica
com uma covardia emocional paralisante
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Pode parecer incoerência, mas o medo do amor a gente não vence nunca. No entanto, quantas outras coisas na vida a gente não tem que fazer com medo? E é bom lembrar que ele não é o contrário da coragem, e sim seu parceiro. O contrário da coragem é a covardia. Quem não tem medo é louco. O valente é aquele que tem medo, mas assim mesmo enfrenta e arrisca. E, afinal, quem é que vive sem correr riscos?
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Para exorcizar minha dor
e homenagear o fruto de um grande amor,
escrevi, dois dias depois, um poema,
talvez os versos mais doloridos
escritos em toda a minha vida

On August 31 2008 Edit






_dinno

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Sao Paulo, São Paulo, Brazil




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